ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 20/06/2021

Em um vídeo muito compartilhado no canal Youtube, uma menina com menos de 2 anos chora ao ver a personagem de seu desenho favorito sofrer. Tais lágrimas chamaram atenção de especialistas, uma vez que é difícil para uma criança de pouca idade colocar-se no lugar do outro. Diante disso, se mesmo uma garotinha consegue ter empatia pela protagonista da animação, o restante da sociedade também deveria ser mais sensível e solidário. Contudo, as relações sociais no Brasil mostram-se cada vez menos empáticas devido às condições ambientais e econômicas.

De fato, manter distância dos sentimentos de outrem tornou-se comum em uma sociedade, na qual as pessoas vivem em suas bolhas individuais. Nesse sentido, as redes sociais e mídias em geral aprisionam os internautas em redomas, nas quais o sofrimento e a tristeza de outros indivíduos são expostas de maneira superficial, distante e, a partir disso, os cidadãos trazem à vida real a mesma alienação em relação à dor alheia. Para exemplificar, é comum vermos ações policiais no interior de favelas, com embates sangrentos entre os líderes da comunidade e agentes da polícia, porém poucas pessoas pensam, desde os policiais até aos telespectadores, no medo das crianças e outros indivíduos presos no fogo-cruzado. Dessa forma, a falta de empatia do corpo social causa marcas traumáticas que poderiam ser evitadas nas favelas, por exemplo, em crianças, jovens e até adultos.

Ademais, ocorre a falta de pensamento solidário no que tange a economia. Nesse contexto, no livro de Graciliano Ramos, “Vidas Secas”, a família do protagonista Fabiano sofre, além das intempéres do clima, com a exploração do patrão capitalista. Na obra, os seres humanos não são empáticos, o patrão engana Fabiano; a esposa do protagonista, Sinhá Vitória, dá bronca nos meninos; além das personagens não conseguirem se comunicar de maneira efetiva devido à escassez de palavras conhecidas. Entretanto, a cachorra Baleia, no romance, é antromorfizada, ou seja, é capaz de ser empática com os meninos. Analogamente, na atualidade, muitos trabalhadores não agem com ideias de compartilhamento de emoções, pois estão ocupados com pensamentos capitalistas e não reparam nos colegas; no entanto, deve-se ainda ter esperança, porque há “Baleias” que auxiliam a sociedade.

Portanto, para superar a falta de empatia nas relações sociais no Brasil, é importante que o Estado incentive, nos cursos de graduação de professores, aulas para aprimoramento da empatia, de maneira que, depois de formados, os docentes auxiliem na construção do mesmo sentimento nos alunos, por meio de palestras e conversas individuais. Dessa maneira, espera-se que quando esses estudantes e futuros adultos se deparem com sofrimento alheio seja nas mídias digitais seja no cotidiano eles possam ser capazes de mobilizar ajuda, além de escutar e auxiliar outrem.