ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 09/07/2021
O filme biográfico “Patch Adams” conta a emocionante história de como a empatia pode não só mudar a vida de pacientes em hospitais, mas também transformar a medicina e relações sociais. Apesar dos contextos culturais diferentes entre o país da trama e o Brasil, a necessidade de valorar o sentimento alheio é tão pertinente na sociedade brasileira quanto foi na vida de Hunt Adams como médico. Por isso, extinguir a falta de empatia no convívio social é uma urgência humanitária, ou seja, é obrigação de todos.
Nesse contexto, a problemática em volta da ausência de alteridade vai além de questões como caridade ou voluntarismo e impacta na seguridade da população. Isso pode ser visto com os dados do Ministério de Justiça e Segurança sobre crimes de ódio, os milhares casos de injúria racial e agressões à minoria LGBTQI+ registrados anualmente explicitam a anomalia social existente no Brasil. Esse fato, apesar de ser de conhecimento público, tem se mostrado difícil de ser combatido, justante porque, infelizmente, não há lei que obrigue ou ensine a ter compaixão e empatia por outra pessoa ou grupo. Por isso, o maior alvo de mudança deve ser a própria sociedade e não o Estado.
Por esse viés, apesar de toda a influência da moralidade judaico-cristã, a qual prega o amor ao próximo e a caridade, a declarada hipocrisia de parte da população no Brasil advém de uma certa banalidade do mal. Porém, diferente da exemplificada pela filósofa Hannah Adrendt, não é originada de uma instrumentalização do indivíduo, mas sim da incapacidade de ter empatia por alguém que não seja semelhante ou compartilhe dos mesmos ideais. Dessa forma, assim como o Dr “Patch” buscou na alteridade uma solução para a indiferença dada ao sentimento alheio, a sociedade precisa fazer o mesmo.
Diante do exposto, a alternativa mais viável e pertinente para essa problemática é estimular a empatia entre os indivíduos. Para que isso ocorra, instituições de ensino, com seu papel de agente educador, devem elaborar práticas de socialização, por intermédio de palestras ou até parcerias com ONGs, com o intuito de promover, desde a infância, o sentimento de se colocar no lugar do outro e o respeitar. Medidas semelhantes a essa pode, ao longo prazo, tornar a empatia um fator comum a todos os brasileiros.