ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 25/06/2021

A fluidez nas relações sociais é uma teoria proposta pelo filósofo Zygmunt Bauman, o qual afirma que, nesta época Pós-Moderna, as relações se tornaram líquidas e efêmeras, e as pessoas, mais individualistas. Nesse contexto no qual a individualidade é mais preservada do que a coletividade, diversos imbróglios sociais são ressaltados, haja vista a incapacidade do indivíduo pós-moderno de se colocar no lugar do outro – ou ter empatia. Sendo assim, é imprescindível debater os problemas desse cenário de escassez de alteridade e as formas de mudar esse panorama.

Mormente, é válido analisar como as novas tecnologias de comunicação – as redes sociais – perpetuam a falta de empatia hodiernamente. No documentário “O Dilema das Redes”, diversos especialistas que atuaram nas mídias sociais discorrem acerca da influência dessas no cotidiano do usuário: os algoritmos trabalham para criar um perfil individual, o qual dispõe de dados que influenciam diretamente o que o usuário vê (e o que não vê). Ademais, a intensa polarização política que ocorre no Brasil pode ser explicada sob esse viés, tendo em vista que essa é definida pela falta de diálogo entre pensamentos divergentes e a consequente ausência de alteridade que surge dela. Assim, é lícito afirmar que as mídias sociais atuam como agente perpetuador e impulsionador desse processo.

Por conseguinte, é importante ressaltar que a empatia é uma virtude que pode ser construída. Apesar de ser necessária para a construção de uma sociedade justa e igualitária, tal como propõe a Carta Magna Brasileira, a empatia só se torna escassa quando a falta de diálogo é perpetuada. Para Pierre Bordieu, a violência simbólica acontece quando as instituições que servem como instrumento de poder da sociedade repassam o ideário de uma parcela dominante da população. Com isso, enquanto essas instituições – tal como o governo, as escolas e a mídia – não passarem a abranger o discurso da parcela minoritária que é posta à margem do descaso perante a sociedade, a construção do diálogo será um impasse e a empatia, como virtude, dificilmente será propagada.

Destarte, é incontrovertível que é substancial a mudança desse quadro de falta de empatia nas relações sociais no Brasil. Sob esse prisma, faz-se necessário que ONGs que possuam finalidades educacionais proponham um plano que vise aumentar o diálogo entre as parcelas do contingente demográfico brasileiro. Nesse contexto, o Plano poderá abranger a criação de um canal de comunicação por meio do Youtube, com debates em vídeo entre figuras que tenham pensamentos divergentes, a fim de diminuir a distância criada pela polarização, assim como vídeos com temáticas educacionais que auxiliam a população na criação de um pensamento coletivo. Dessa forma, esse cenário de escassez de empatia será minimizado e as relações sociais no Brasil se tornarão mais sólidas.