ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 07/07/2021
É notório que, as relações sociais, principalmente após o advento das mídias sociais, mostram-se extremamente tênues e dinâmicas, fato que torna cada vez mais visível a despreocupação das pessoas com o bem-estar do próximo. Nesse contexto, a falta de empatia nas relações sociais pode ser compreendida por dois importantes aspectos: historicamente o crescimento intelectual humano, sozinho, não tornou as pessoas mais respeitosas ou empáticas, e a nova maneira de comunicar-se utilizando os meios de comunicação digitais contribui para o agravamento dessa falta de empatia.
Segundo os pensadores da Escola de Frankfurt, ainda que a sociedade como todo tenha adquirido um grande desenvolvimento científico e um aumento na capacidade intelectual das pessoas, principalmente nos últimos dois séculos, os indivíduos, ao contrário do que era esperado pelos pensadores iluministas, não passaram por um processo de avanço moral, e sim um regresso. Os teóricos frankfurtianos embasaram suas teorias nos avanços científicos e tecnológicos utilizados nas duas grandes guerras mundiais e no holocausto para a dizimação em massa de pessoas, chegando a conclusão de que apenas a escolarização e a disseminação da informação não levariam a uma sociedade mais empática e igualitária.
Ademais, cabe ressaltar que a maneira como os indivíduos se comunicam no contexto atual, quase que exclusivamente por meio das mídias sociais, é extremamente prejudicial para a qualidade das interações interpessoais. O sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman acredita que as redes sociais e a “internet” intensificam o que ele denomina de amor líquido: relações pseudoamorosas extremamente superficiais, em que se é valorizado a quantidade de “amizades”, e não a qualidade delas. Nessa categoria de relação o sujeito é objetificado e a busca por prazer a qualquer custo é exaltada. Desse modo, as pessoas não se importam genuinamente com os sentimentos das outras e acabam ampliando essa realidade para fora dos meios de comunicação, o que contribui para perpetuação da falta de empatia nas relações sociais.
Portanto, mostra-se indispensável que ocorra investimentos não só na escolarização e na aquisição de conhecimento, fatores que, como já foram mencionados, não possuem a capacidade de solucionar essa questão, sozinhos, mas também em políticas públicas efetivas de conscientização, elaboradas pelos governos estaduais e municipais que promovam o conhecimento da população a respeito da importância da empatia nas interações interpessoais, visando a melhoria na qualidade das relações sociais dos cidadãos brasileiros.