ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 26/06/2021

Segundo Thomas Hobbes, a busca pela realização dos anseios individuais é responsável pela criação de um estado de guerra de todos contra todos, sendo importante a atuação do Estado para coibir tais excessos. Portanto, é notório que o individualismo é inerente à natureza humana, em conjunto com a falta de empatia,  e está presente, sobretudo, nas relações sociais do Brasil contemporâneo, marcado tanto pelo prevalecimento do poder do capital, quanto por um Estado ineficiente em amenizar condutas individualistas. Dessa forma, tal cenário é culpado pela opressão das minorias, além de ser gerado por um modelo educacional deficiente.

Primeiramente, a ausência de um comportamento empático promove a violação dos direitos de minorias, como a população indígena do país. Assim, tal conduta pode ser observada desde os primórdios da colonização portuguesa, pois não houve respeito à cultura, à terra e muito menos à vida do nativo, em nome do enriquecimento econômico da metrópole. De forma análoga, no século XXI, a falta de empatia na nação manifesta-se com a apropriação de terras dos índios pelo agronegócio e, por conseguinte, a opressão da manutenção de suas tradições. Desse modo, os anseios individuais dos grupos detentores de capital, apoiados pelo governo, entram em confronto com o direito dos indígenas à terra, gerando tensões na sociedade brasileira, conforme previsto por Hobbes.

Outrossim, a carência de empatia também é efeito de uma educação conteudista. Consoante John Locke, o homem é uma tábula rasa, sendo seu conhecimento adquirido, integralmente, por meio de experiências ao longo da vida. Entretanto, apesar da escola apresentar um papel essencial na construção do caráter do cidadão brasileiro, tal instituição falha em oferecer uma formação multidisciplinar que favoreça o contato com diversas realidades e, logo, a redução de comportamentos não empáticos. Consequentemente, o modelo educacional nacional, sob o apoio do Estado, prioriza a grade curricular tradicional, perpetuando o individualismo e o estado de guerra proposto por Hobbes.

Diante disso, para reduzir a ausência de empatia no Brasil contemporâneo, é necessário que o Ministério da Educação crie o Plano de Incentivo à Empatia, que, por meio da realização de palestras quinzenais, nas escolas de todo o país, ministradas por profissionais especializados, acerca da diversidade existente no território e das dificuldades enfrentadas pelos grupos minoritários, irá não só diminuir a opressão enfrentada por povos como os indígenas, como também a deficiência educacional brasileira. Tais palestras deverão contar com uma equipe de profissionais multiétnica, a fim de ampliar o contato com outras realidades. Em suma, o Estado brasileiro ampliará a sua participação na redução  das tensões provenientes da busca pelos anseios individuais, de acordo com a teoria hobbesiana.