ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 30/06/2021
Na obra “Modernidade líquida”, do sociólogo e filósofo Zygmunt Bauman, observa-se o individualismo como causa da superficialidade das relações sociais, o que ele chama de “liquidez dos sentimentos”. Infelizmente, fora da literatura e no contexto brasileiro, tal apontamento adquire mais um vertente, a falta de empatia. Nesse viés, destaca-se a ausência de exemplos altruístas e a falta de reflexão acerca de ações pessoais como possíveis causadores da atual situação presenciada no Brasil.
A princípio, a presença da empatia nas relações pessoais demonstra atitudes antrópicas. Porém, no cenário vigente, é notória a escassez de tais ações, visto que a cada dia a tendência de presenciá-las passa a ser menor, característica de uma sociedade imediatista e alienada. Em confirmação, mesmo em cenário pandêmico, o Brasil ocupou a 54ª posição no índice Global de Solidariedade de 2020, fato que afeta também as Organizações Não Governamentais (ONGs) e seus feitos em diversas áreas. Sob essa ótica, com a ausência de exemplos altruístas, vertentes como a educação e a saúde são afetadas e impedidas de receberam melhorias.
Além disso, passa-se a notar um “comportamento de manada” nos indivíduos, conceito criado pela filósofa alemã Hannah Arendt. Por certo, tal observação é possível, pois não agir de forma empática passa a ser algo realizado pela maioria. Assim, a falta de reflexão acerca de ações pessoais é inevitável, pois as pessoas seguem o que é feito pela totalidade sem indagar seus posicionamentos. Dessa forma, a necessidade de propagar práticas contrárias ao geral como as apresentadas no filme “A lista de Schindler” se faz presente. Tais ações são realizadas por Oscar Schindler, um homem que, apesar de estar em uma posição privilegiada, pensou sobre suas atitudes como membro do partido nazista e escolheu salvar mil operários judeus.
Portanto, a ausência de exemplos altruístas e a carência da indagação de ações pessoais se enquadram como agravantes da problemática. Diante disso, cabe ao Ministério da Cidadania, aliado ao Governo Federal, salientar a necessidade da empatia nas relações sociais e promover exemplos já realizados, por meio de campanhas nas mídias sociais e nos horários nobres da rede televisiva, para que sejam dadas referências e incentivos à população e que ela mesma aja de modo consciente. Ademais, cabe à sociedade pensar acerca de seus ideais, por meio do exercício da razão e pela busca do desenvolvimento próprio, como defendeu o filósofo moderno René Descartes em sua lógica dedutiva, a fim de que a população evite um comportamento que impede melhorias e atos antrópicos. Logo, será possível a perpetuidade de realizações mais humanas na contemporaneidade.