ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 27/06/2021
No livro “O diário de Anne Frank”, escrito por uma judia alemã durante a Segunda Guerra Mundial, é relatado o modo como as relações interpessoais se esfacelavam com facilidade em meio ao período, o que evidenciava a ausência de cumplicidade na sociedade e fazia com que os vínculos se tornassem descartáveis. Analogamente ao exposto, no Brasil, ao observar a maneira com que são tratadas as interações coletivas na contemporaneidade, constata-se a falta de empatia nas relações sociais na nação e os desafios trazidos consigo. Por isso, graças à efemeridade e à intolerância percebidas na convivência entre os indivíduos, a problemática assola a sociedade.
Em primeiro plano, vínculos interpessoais cada vez mais temporários corroboram a conjectura. Nesse sentido, o conceito de “sociedade líquida”, desenvolvido pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, defende que a coletividade contemporânea tem se formulado com base em relações efêmeras e inautênticas. Dessa maneira, a partir do momento em que as interações na contemporaneidade não apresentam uma sensibilidade real entre os indivíduos, as relações se tornam descartáveis, o que faz com que o convívio interpessoal seja superficial e ilusório. Logo, devido à efemeridade na contemporaneidade, debatida por Zygmunt Bauman, a coletividade brasileira carece de empatia no cotidiano.
Ademais, o preconceito envolvido em relações socias agrava, ainda mais, o quadro. Nesse viés, de acordo com o portal Gênero e Número, crimes de ódio e intolerância ocorreram em todo o território brasileiro em 2018, o que evidencia a superficialidade no convívio em meio à coletividade. Desse modo, no instante em que as interações sociais, frequentemente, são pautadas em condições preestabelecidas, como raça, cor e gênero, a empatia e a cumplicidade são deixadas em segundo plano, o que transforma a sociedade em um ambiente hostil e altamente seletivo, no qual prevalecem construções sociais mal formuladas e discriminativas. Assim, graças aos percalços advindos ao cenário, são necessárias medidas interventivas.
Portanto, depreende-se que a questão ausência de empatia em meio às relações sociais no Brasil é um desafio e carece de soluções. Sendo assim, influenciadores midiáticos, aliados a usuários da rede, devem, por meio de publicações que promovam o convívio interpessoal saudável, incentivar a sociedade a desenvolver sensibilidade e espírito de alteridade no cotidiano, o que corroborará relações empáticas e autênticas na sociedade, a fim de erradicar a construção de vínculos efêmeros, fomentar interações duradouras e, consequentemente, retomar a ideia de sociedade conectada, o que fortalecerá as relações socias e as tornará não mais descartáveis, como outrora fora relatado por Anne Frank.