ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 03/11/2021
De acordo com a obra “Brasil, País do Futuro”, escrita por Stefan Zweig, em 1941, o Brasil é sinônimo de progresso, o que projeta uma visão promissora. Entrentanto, há uma significativa discrepância entre o que era esperado e o que foi entregue, tendo em vista o panorama da indiferença interpessoal nas relações humanas — um realce do retrocesso da compaixão. Assim, é possível afirmar que não só a baixa qualidade educacional instaurada no país, mas também a falta de senso crítico em relação às situações mais complexas fomentam o status quo contemporâneo do século XXI.
Inicialmente, é necessário dizer que o aprendizado é o principal meio para se contornar as mazelas sociais, o que não se diferencia com a questão da supressão da empatia. Por exemplo, um estudante que é leitor de obras literárias, as quais realçam a dificuldade de determinado grupo, como em “Vidas Secas” e “Holocausto Brasileiro”, possui a capacidade de sentir a dor alheia por meio da leitura, tornando-se mais sensível. A priori, quando a educação é deixada de lado, torna-se difícil a percepção de dores que são desconhecidas — aliás, por isso a leitura é um grande agente humanitário, pois faz entender uma realidade distinta da própria.
Ademais, outro tópico importante a se discutir tange à questão da superficialidade do pensamento humano, o qual, muitas vezes, usa-se de uma lógica incompreensível. Conforme o recente caso do serial killer, Lázaro, foi notória a comemoração da sua morte, e que, porrém, foi ocultado o passado de violência e abusos sofridos pelo assasino no ambiente familiar. A partir desse aspecto, é revoltante que o enfoque de determinados assuntos seja voltado à violência, e não ao contorno dela com situações adequadas de convívio parental ou não.
Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com as instituições de ensino, realizar a conscientização populacional por intermédio de palestras educativas e campanhas publicitárias que discorram acerca da empatia, com indicações de livro e exemplificações cotidianas de injustiças que a estimulem. Espera-se, com tudo isso, uma melhoria significativa no convívio humano e, por conseguinte, uma esperança para a concretização da projeção de Zweig.