ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 03/07/2021

O livro ‘Por lugares incríveis’ mostra as dificuldades que um adolescente com tendências suicidas enfrenta em uma sociedade não empática. No fim, ele não consegue a ajuda necessária que buscava nem em sua família, escola e amigos, e termina sua vida tragicamente. Paralelamente ao livro, os cidadãos lidam com situação não diferente: os brasileiros falham em se importar com o outro, logo, o país como um todo sofre. A falta de empatia representa uma grande falha nos tecidos institucionais do País, como muito filósofos já disseram. Tal preocupante problemática deriva de aspectos da cultura atual, e na dificuldade da sociedade em se manter funcionando de maneira saudável.

Em primeiro plano, é importante observar quais aspectos da cultura brasileira moldam tal desamor, e de onde e quando eles derivam. O Brasil alcançou seu ápice direito-constitucional apenas 33 anos atrás, quando a Constituição Federal foi promulgada. Antes disso, direitos eram negados a diversas camadas da sociedade, e isso as manteve á margem, enquanto outras viviam tranquilamente com direitos que não tiveram que lutar para ter. A empatia consiste em se ver no lugar no outro, e isso se tornou mais difícil quando suas realidades eram cada vez mais diferentes. Embora tais direitos hoje existam e são desfrutados, ainda existem impressões do tempo em que a realidade do outro parecia impossível de ser vivida. Em segundo plano, é importante entender que a sociedade é como uma máquina bem oleada, cada cidadão é uma engrenagem que a faz funcionar. Isso foi o que o filósofo Durkheim teorizou, e, além disso, descreveu em suas obras que toda problemática social é sistemática e não pode ser entendida de maneira individual, mas sim como um aspecto geral. Assim, se torna claro a única instituição que poderia mediar tal problema: o Estado. Entretando, não existem leis atuais acerca da empatia, apenas sobre crimes e difamações. Logo, se torna aparente a ineficiência do Governo em proporcionar o bem estar social dos Brasileiros.

Neste interím, cabe ao Governo por meio do Ministério da Educação promover campanhas e palestras, mediadas por psicólogos e pedagogos nas escolas acerca da empatia e saúde mental, a fim de que a curto prazo a cultura atual não permaneça da mesma maneira, e longo prazo seja mais fácil para os brasileiros enxergarem-se no outro. Ademais, é importante que o Estado, por meio de seus órgãos já existentes, de forma mais eficiente lute contra a desigualdade social, por meio de políticas públicas que envolvam desde o âmbito profissional ao salutar, pois enquanto houver desigualdade haverá falta de empatia. Com essas medidas, espera-se que a sociedade brasileira funcione como a máquina bem oleada que deveria ser, e não falhe com seus cidadãos como o círculo social  de Finch, do livro antes citado, falhou.