ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 03/07/2021

Na obra “A Sociedade do Espetáculo”, o filósofo Guy Debord afirma que, com a perpetuação do capitalismo na modernidade, o homem deixou de ser o protagonista de sua própria história e tornou-se coadjuvante de um grande espetáculo de vidas humanas marcado pela tristeza e pelo ódio. Sob essa ótica, o hodierno contexto das relações sociais vai ao encontro das ideias do autor, visto a nociva falta de empatia que reside no Brasil. Isso ocorre, sobretudo, devido aos preconceitos enraizados e tem como consequência a expansão da violência.

Mormente, é válido ressaltar que os pensamentos de intolerância internalizados durante séculos são um fator estimulador da problemática. Nessa perspectiva, o sociólogo Gilberto Freyre afirma que, ao longo da história, foram criados em cima da estrutura ideológica da nação padrões de normalidade baseados na figura do homem branco. Sob esse viés, tal crença fez a população feminina e a etnia negra serem excluídas durante muito tempo, pois essas não se encaixavam no modelo construído. Isso facilitou o desenvolvimento de uma antipatia com esses grupos e fundamentou os preconceitos e discriminações que ocorrem nos dias atuais. Dessa forma, enquanto não houver um debate acerca dos princípios basilares do povo brasileiro, o imbróglio permanecerá.

Outrossim, o resultado mais sublime da normalização da falta de confraternização para com o outro é o aumento dos casos de hostilidade. Sobre isso, de acordo com o Mapa do Ódio de 2018, 100% das Unidades Federativas apresentaram crimes de ódio contra a mulher e 85% contra raça. Nesse tocante, é visível o predomínio das relações de aversão contra tais pessoas. Todavia, frequentemente, esses absurdos são ocultados e ignorados pelo resto dos cidadãos e como consequência temos o surgimento de um ciclo invisível de violência. Dessa maneira, não refletir a questão das relações sociais facilita a perpetuação desse distúrbio, o que prejudica toda a sociedade.

Torna-se imprescindível, portanto, combater a falta de empatia nos relacionamentos humanos. Para isso, é papel do Ministério da Educação - órgão responsável pelas políticas educativas nacionais - elaborar campanhas publicitárias, por meio da divulgação em plataformas de grande visibilidade como o YouTube, a fim de demonstrar à população os problemas gerados pela falta de uma consciência pautada pelo respeito. Ademais, o Poder Legislativo deve aprimorar o ordenamento jurídico com o fito de responsabilizar devidamente os indivíduos que infringem a liberdade do outro e cometem atos hediondos. Assim, a denúncia apontada outrora por Debord deixará lentamente de fazer parte da realidade da pátria.