ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 08/09/2021

O romance filosófico “Utopia” -criado pelo escritor inglês Thomas Morus no século XVI- retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia mostra-se distante da realidade no tocante à falta de empatia nas relações sociais, problema ainda a ser combatido no Brasil. Esse panorama ocorre não só em razão da ausência de políticas públicas que visam a coletividade, mas também da imposição de conceitos individualistas pelo capitalismo. Dessa forma, faz-se necessária análise dessa conjuntura para reverter esse quadro.

Em primeiro plano, é primordial destacar que a carência de investimentos em políticas públicas que visem a coletividade deriva da ineficácia do Poder Público, no que concerne à criação de mecanismos, os quais coíbam a falta de empatia nas relações sociais no Brasil. Sob a perspectiva do filósofo contratualista John Locke, o Estado foi criado por um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relações harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social no cenário hodierno brasileiro, visto que, devido à baixa de atuação das autoridades, as relações sociais deixam de ser harmônicas e passam a ser antipáticas.

Outrossim, a imposição de conceitos indivídualistas pelo capitalismo apresenta-se como outro desafio dessa problemática. Nesse sentido, de acordo com o renomado cientista político Karl Marx, o capitalismo prioriza o lucro em detrimento de valores. Sendo assim, tal pensamento é materializado no Brasil, haja visto que ideias econômicas capitalistas pregam o individualismo como preceito para o vislumbre econômico em detrimento da empatia nas relações sociais. Logo, tudo isso retarda o combate à problemática apresentada, já que o capitalismo contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Dessarte, são necessárias medidas as quais visem mitigar essa problemática. Portanto, é mister que o Ministério da Educação, junto ao Ministério da Cidadania e parcerias público-privadas, elaborem o projeto “Empatize-se” para que esse, por meio de palestras ministradas por sociólogos e psico-pedagogos em redes de ensino, seja o responsável por criar um senso de empatia nas relações sociais dos indivíduos. Quanto à divulgação, essa pode ser feita por meio de propagandas no TikTok ou no Instagram. Sendo assim, poder-se-á mitigar essa problemática e se aproximar, cada vez mais, ao ideário proposto por Thomas Morus em “Utopia”.