ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 05/07/2021

O romance filosófico ‘‘utopia’’ criado pelo escritor inglês Thomas Morus no século XVI, retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia, mostra-se distante da realidade contemporânea no tocante a presença da impatia nas relações socias, problema ainda a ser combatido no  Brasil. Esse panorama  lamentável ocorre não só em razão da marginalização social, mas também do machismo enraizado. Desse modo, torna-se fundamental a análise dessa conjuntura para reverter esse quadro.

Nessa linha de raciocínio, é primordial destacar que a carência de investimentos, visando atenuar a marginalização social, deriva da ineficácia do poder público, no que concerne à criação de mecanismos, os quais coíbam tais recorrências. Sob a perspectiva do filósofo contratualista John Locke, o Estado foi criado por um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relações harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social no cenário hodierno, brasileiro, visto que, devido à baixa atuação das autoridades, mais de 170 mil brasileiros entraram para a chamada linha de pobreza em 2019, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de  de Geografia e Estatística), resultando na marginalização. Destarte, fica evidente a ineficácia da máquina administrativa na resolução dessa situação caótica.

Além disso, a carência de recursos visando erradicar o machismo apresenta-se como outro desafio da problemática. Segundo o procedimento genealógico de Niezstche, é possível buscar a origem de problemas morais no passado. Sob tal ótica, é inegavel a relação da falta de empatia com o machismo instaurado no Brasil na colonização, com a exataltação do ponto de vista eurocentrista, com padronização do apelo sexual e objetificação sobre o corpo das mulheres. Pode-se evidenciar tal preconceito como fator agravante de tal problemática, visto que o feminicídio é o unico crime registrado em todas as unidades federativas, segundo a fonte: Mapa do ódio 2018. Logo, tudo isso retarda o combate à falta de empatia, surgindo então a necessidade de intervenção.

Diante do exposto, infere-se a necessidade de mitigação dos entraves em prol da diminuição da ausência de empatia. Assim, cabe ao Congresso Nacional medir o aumento do percentual de investimento, o qual será proporcionado por uma alteração na lei das diretrizes orçamentarias, ampliar a conscientização contra a marginalização e o machismo por meio de palestras ministradas por profissionais especializados na área, sociólogos e antropólogos, com o objetivo de reeducar a população, enfatizando a necessidade de empatida nas relações sociais. Dessa forma, poder-se-á concretizar a ‘‘utopia’’ de Morus na sociedade brasileira.