ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 06/07/2021

“Laranja mecânica”, um clássico da literatura inglesa escrito por Anthony Burgess, retrata, por meio de um viés distópico, uma sociedade inglesa futurista. Nela, a violência em excesso é o que mais a caracteriza, e o egoísmo é o centro de todas as relações; o narrador e personagem principal comete uma série de crimes por nenhum motivo aparente, somente pelo prazer que há neles. Longe - mas nem tanto - de um cenário extremo assim, a afinidade e o respeito nas relações sociais brasileiras têm se tornado cada vez mais escassos, resultando numa série de conflitos de diferentes dimensões e transformando, gradativamente, a empatia num mito.

Em primeiro plano, é necessário admitir a carência de discussões acerca desse assunto, pois o pouco ou ausente conhecimento sobre a questão da empatia e como ser empático faz com que os desdobramentos sejam frutos da ignorância e do egocentrismo. Em salas de aula, por instância, são indispensáveis debates de assuntos recorrentes no contexto dos ouvintes, como ocorre no longa “Escritores da liberdade”, o qual aborda a violência no meio juvenil com os próprios jovens. Em contrapartida, enquanto isso não é uma realidade muito presente, os índices de crimes de ódio crescem exponencialmente em todo o Brasil, como aponta a empresa jornalística Gênero e Número em 2020, mostrando que, em 2018, o preconceito por raça gerou atos violentos em quase todo o país.

Paralelamente, sabe-se que o estímulo desse valor se encontra, ainda, em déficit nas mídias e redes sociais. Tendo em vista o conceito de solidariedade orgânica, proposto por Émile Durkheim, a atual sociedade capitalista brasileira é dependente das diferenças entre os indivíduos para haver um vínculo social. Contudo, tais vínculos são, muitas vezes, moldados superficialmente nas grandes redes, fazendo com que as atitudes não pareçam reais, consequentemente, não inspirando os expectadores. Em contrapartida, perfis de instituições solidárias, como a Razões Para Acreditar, promovem a empatia compartilhando notícias boas e incentivando o envolvimento em ONGs, financiamento compartilhado – por meio de “vaquinhas” – e campanhas filantrópicas.

Nesse contexto, portanto, torna-se evidente a necessidade da promoção desse princípio, a empatia. Desta maneira, cabe ao Ministério da Educação inclinar as pessoas, independente da faixa etária, para a compreensão emocional para com o outro, por meio de projetos, palestras e ações interpessoais que expandam a visão de mundo. É imprescindível, da mesma forma, que o Ministério da Cidadania continue, constantemente, estimulando a população nesse sentido, com outros programas como o Pátria Voluntária. Somente assim, a nação brasileira edificará um futuro promissor e harmônico, mantendo o padrão da sociedade distópica de “Laranja mecânica” apenas nos contos.