ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 08/07/2021
É notório que as relações sociais, principalmente após o advento das mídias sociais, mostram-se extremamente tênues e dinâmicas, fato que torna cada vez mais visível a despreocupação das pessoas com o bem-estar do próximo. Nesse contexto, a falta de empatia nas relações sociais pode ser compreendida por dois importantes aspectos: historicamente o crescimento intelectual humano, sozinho, não tornou as pessoas mais respeitosas ou empáticas, e a nova maneira de comunicar-se utilizando os meios de comunicação digitais contribui para o agravamento dessa falta de empatia.
Segundo os pensadores da Escola de Frankfurt, ainda que a sociedade como todo tenha adquirido um grande desenvolvimento científico e um aumento na capacidade intelectual das pessoas, principalmente nos últimos dois séculos, os indivíduos, ao contrário do que era esperado pelos pensadores iluministas, não passaram por um processo de avanço na moralidade e na qualidade das relações sociais. Os teóricos frankfurtianos embasaram suas teorias nos avanços científicos e tecnológicos utilizados nas duas grandes guerras mundiais e no holocausto para a dizimação em massa de pessoas, chegando a conclusão de que apenas a escolarização e a disseminação da informação não levou os indivíduos a serem moralmente mais evoluídos. Nesse sentido, as guerras e perseguições na Europa do início do século XX levou-os a crer que os indivíduos tornaram-se menos empáticos e mais violentos.
Ademais, cabe ressaltar que a maneira como os indivíduos se comunicam no contexto atual, quase que exclusivamente por meio das mídias sociais, contribui diretamente para a manutenção da falta de empatia nas relações interpessoais. O sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman acredita que as redes sociais e a “internet” intensificam o que ele denomina de amor líquido: relações pseudoamorosas extremamente superficiais, em que se é valorizado a quantidade de “amizades”, e não a qualidade delas. Nessa categoria de relação o sujeito é objetificado e a busca por prazer a qualquer custo é exaltada. Desse modo, com o uso cada vez mais frequente dos meios de comunicação virtuais, as pessoas passam a priorizar essas relações rasas pelo seu caráter mais dinâmico e acumulativo, o que contribui para perpetuação da falta de empatia nas relações sociais.
Portanto, mostra-se indispensável que os governos estaduais e municipais, através de políticas públicas efetivas, promovam nas escolas programas de conscientização sobre a importância da empatia nas relações interpessoais e os malefícios das relações rasas provenientes das mídias digitais. De modo que os alunos possam aprender sobre essa questão e transmitir esse conhecimento a seus pais, proporcionando uma melhoria na qualidade das relações sociais dos cidadãos brasileiros.