ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 10/07/2021
Na obra “Crime e Castigo”, de Dostoiévski , é retratada a história de Raskólnikov, um jovem que, desprovido de atividade empática, comete um assassinato e o justifica moralmente ao comparar a morte da vítima à morte de uma barata. Fora da ficção, a falta de empatia na sociedade brasileira configura um problema, tendo em vista que essa capacidade é fundamental para uma boa relação entre os indivíduos. Esse cenário é fruto da ineficiência estatal em conscientizar a população e traz como consequência o enfraquecimento das relações humanas.
Em primeiro plano, cabe citar a ineficiência educacional do país como um dos causadores do problema. Para Paulo Freire – patrono da educação brasileira -, a educação é essencial no processo de mudança da sociedade. Entretanto, o que se nota no Brasil é que a escola é totalmente falha em exercitar a empatia dos estudantes, o que faz com que os jovens cresçam sem essa habilidade. Assim, sem o incentivo para o desenvolvimento da empatia, a tendência é de que a sociedade fique cada vez menos empática. Em segundo lugar, nota-se a piora das relações sociais como uma consequência da problemática. Nesse sentido, pode-se ressaltar que, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, uma das características das relações humanas atuais é a sua fragilidade – a modernidade líquida – causada sobretudo pelo individualismo e pela falta de empatia, o que torna a sociedade como um todo menos propensa a pensar em seus pares. Segundo o Mapa do Ódio, todos os estados brasileiros cometeram pelo menos um crime de ódio em 2018, dado que demonstra a falta de empatia no país.
Portanto, é necessária a atuação estatal para solucionar o problema. Para tanto, urge que o Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias de Educação, promulgue medidas para a conscientização da população. Tais medidas devem ter enfoque nos jovens, para que esses, além de se tornarem indivíduos mais empáticas, possam conscientizar suas famílias, mitigando ainda mais o cenário não empático em que o país se encontra. Dessa forma, as relações sociais tendem a melhorar e cada vez menos “Raskolnikóvs” hão de surgir.