ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 11/07/2021

A empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro e de compreender os sentimentos alheios, sendo que sua ausência pode gerar sérios problemas sociais. As crises humanitárias, por exemplo, reverberam a ausência de empatia que alguns países têm com pessoas que fogem de Estados em crise em busca de condições dignas de vida. Como principal obstáculo à empatia, destaca-se a xenofobia, que impede a conscientização coletiva de respeito à diversidade cultura.

Segundo o filósofo Roman Krznaric, empatia é o encontro de uma humanidade compartilhada por meio da capacidade de se colocar no lugar do outro para agir como agente transformador do mundo. Em contraposição a esse conceito, há a xenofobia, que obsta qualquer sentimento empático ao preconizar a aversão ao diferente, ao não reconhecimento do outro por possuir raça, cor ou religião diferentes.

No contexto atual, destaca-se a crise humanitária dos refugiados, como os africanos que a cada ano fogem de seus Estados em crise com principal destino à Europa com o intuito de viver dignamente. Porém, são constantes casos de devolução dessas pessoas visto que existem preconceitos enraizados, enfatizados por partidos de extrema direita, como a possibilidade de perda da identidade nacional ou mesmo o sentimento de superioridade dos europeus frentes aos imigrantes.

O autor Zygmunt Bauman, no seu livro “Estranhos à nossa Porta” coaduna com essa ideia ao expor a crise moral e humanitária dos refugiados na Europa, destacando a desumanização que essas pessoas sofrem ao serem consideradas inferiores aos europeus. Com vista a reverter esse quadro, Bauman propõe uma reflexão sobre a necessidade de se promover diálogos mútuos capazes de garantir uma conscientização coletiva sobre as responsabilidades compartilhadas referentes ao dever moral de garantia do bem coletivo por meio do convívio harmônico nas sociedades, baseadas na diversidade cultural.

Portanto, Com o intuito de promover uma visão coletiva acerca da importância do respeito à diferença do outro para evitar preconceitos que desumanizam os indivíduos, torna-se essencial que o Estado promova ações mais assertivas para evitar condutas xenófobas que afrontem os direitos humanos. O Ministério da Justiça por meio da adoção de campanhas e políticas socioeducativas em massa no âmbito nacional melhoria a convivência social pois promoveria a conscientização coletiva de respeito à diversidade. Além disso, a criação de penas mais severas para os crimes que atentem contra certo grupo por conta de sua cor, raça ou etnia, igualmente atuaria como fator de inibição para esses atos preconceituosos.