ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 12/07/2021

A palavra “Empatia” vem do grego “pathos”, conforme prevê a etimologia, e significa a capacidade de experimentar o sentimento de dó, tristeza ou compaixão de uma pessoa pela outra. Essa habilidade, embora de suma importância para a convivência em sociedade, tem encontrado desafios para se estabelecer de maneira mais ampla entre os brasileiros. Dessa forma, medidas são necessárias para amenizar essa problemática.

Em primeiro lugar, é fundamental entender o papel da empatia na construção de uma sociedade mais harmônica. Nesse sentido, Tolstói, escritor russo, considerava que a capacidade de experimentar emoções e sentimentos que outras pessoas manifestavam era um traço humano tão fundamental quanto a sua alta capacidade cognitiva. Essa possiblidade empática, seria, assim, uma virtude que traria mais coesão para uma sociedade, na medida em que aqueles que a integravam seriam munidos da habilidade de se unir em torno de sentimentos de tristeza ou de alegria. Portanto, a empatia deve ser reconhecida na sua capacidade de promover a união entre as pessoas, consolidando laços dentro de uma sociedade tornando sua convivência mais harmônica.

Em segundo lugar, no entanto, é indispensável compreender como o exercício de empatia na sociedade brasileira tem enfrentado alguns desafios para se estabelecer. Nesse sentido, o recente cenário político acirrou determinantemente a polarização de ideologias no país. Desde a disputa entre Dilma e Aécio em 2014, o impeachment e a eleição de Bolsonaro, o país se dividiu entre “esquerda” e “direita”, de um modo que não havia feito antes, acusando-se mutuamente pelos problemas do Brasil. Do ponto de vista psicanalítico, segundo Freud, essa cristalização de ideologias provoca a sensação de que as pessoas que não compartilham a mesma ideologia tornem-se estranhas, e por isso são logo objeto de aversão. Assim, quanto mais se acirram os ânimos em relação a preferências de qualquer natureza, como a política, menor o trânsito das pessoas entre ideias diferentes e, assim, menor a possibilidade de se concretizar a empatia na sociedade.

A partir dessa discussão, fica claro que a mídia televisiva, na sua responsabilidade de comunicação com o povo, deve trabalhar para reduzir o peso das ideologias na relação entre as pessoas com o objetivo de fomentar uma sociedade mais empática. Isso pode ser feito por meio de programas de humor, novelas e seriados que desconstruam o estigma de inimizade entre pessoas com crenças diferentes, estendendo essa desconstrução não só para o campo político, mas religioso, econômico e racial por exemplo. Dessa forma, independente de eleições, o país poderá manter sua qualidade empática, tão importante em uma nação construída sobre traços tão sincréticos como o Brasil.