ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 12/07/2021
A ativista Malala, de 24 anos, tem sido símbolo de luta e parcimônia após ter sido baleada na cabeça por grupos talibãs ao se manifestar a favor dos direitos das mulheres, em 2012. Entretanto, ainda que tenha recebido o Prêmio Nobel da Paz pela sua batalha social, impera a ausência de malalas no Brasil, haja vista a persistência da falta de empatia na sociedade contemporânea, pelo fato de os indivíduos se ocuparem em demasia de seus próprios interesses e dedicarem pouco tempo às dores alheias, seja pela fluidez afetiva parte da cultura volátil em curso, seja pela exaustão a que estão submetidos.
Em primeiro plano, verifica-se a falta de cuidado com os problemas individuais, por causa da fluidez das relações sociais. Sob essa perspectiva, Zygmunt Bauman retrata esse cenário em sua obra “Modernidade Líquida” ao dissertar que as relações costumavam ser sólidas, enquanto na contemporaneidade elas passaram a ser líquidas e voláteis. Nota-se que a falta de empatia, tão presente no mundo moderno, possui íntima ligação com o custo emocional que existe no exercício de deixar de olhar para as próprias dificuldades e limitações para escutar os problemas dos que nos circundam. Destarte, ser empático na sociedade brasileira atual tem como premissa a atitude de compreender de forma profunda os problemas sociais, não somente de forma ampla, mas principalmente de maneira individual.
Outrossim, é parte da grande Quarta Revolução em curso a fadiga que os indivíduos experimentam como consequência do excesso de atividades laborais, que furta tempo do olhar atencioso para as necessidades alheias. Nessa perspectiva, o filósofo oriental Byung-Chul Han descreve como Sociedade do Cansaço aquela que justifica como escasso o período disponível para interações sociais despreocupadas de desempenhos, inclusive nomeada como Sociedade do Desempenho, pela razão homônima. Ora, se o exercício da empatia pressupõe a tentativa de sentir a dor de outrem – não literalmente -, Han explica com maestria que o corpo social justifica a ausência de tempo pelo excesso de atividades, o que evidencia grave mazela social e urge ser desconstruída.
Impende, portanto, que o Ministério da Educação crie campanhas de conscientização social em ambiente escolar, por meio de feiras socioeducativas anuais, que contem com a presença de líderes ativistas globais, tais como Malala e Greta Thunberg, nomes de elevada relevância na luta pelos Direitos Humanos. Tais eventos têm a finalidade de romper com o egoísmo individual que impera no Brasil, além de tornar menos fluidas as relações humanas, tão desgastadas pelo egocentrismo. Dessa forma, é certo que Malala experimentaria de substancial alegria ao se deparar com uma sociedade verde-amarela evoluída empaticamente, , já que dedica sua vida a essa nobre causa.