ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 12/07/2021

No livro americano “O ódio que você semeia”, a personagem principal, negra advinda da periferia, aprende a lidar com as desavenças sociais que enfrenta em sua nova escola elitizada e, predominantemente, composta por brancos. Paralelamente, no Brasil, essa é a realidade da maioria da população, que disputa seu espaço de direito em meio às relações sociais discriminatórias. Dessa forma, entende-se que a falta de empatia representa uma lacuna educacional que ocasiona diversos crimes de ódio anualmente,  o que mostra uma falha governamental sobre o cumprimento das leis.

Em primeira análise, o artigo 5º da Constituição Federal de 1988 declara que todos são iguais perante à lei, sem qualquer discriminação, além de garantir a segurança. No entanto, diariamente, diversos casos de crimes de ódio são registrados nas delegacias nacionais, o que expõe que, mesmo declarado por lei, a segurança e igualdade não são direitos vigentes à população. Dessarte, é visível, nos diversos âmbitos sociais, como a discriminação e a falta de empatia acarretam em problemáticas sociais que deveriam ter sido abolidas, principalmente após a implantação de leis que declaram como crimes inafiançáveis aqueles motivados por preconceito. Logo, não é razoável que o Brasil continue a perpetuar comportamentos discriminatórios criminalizados por lei.

Outrossim, deve-se compreender que a educação tem papel fundamental na consciência social da população. Dessa maneira, consoante o professor e filósofo Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Desse modo, a lacuna educacional direcionada à ética social perpetua um cenário de ódio e de caos no país, não buscando modificar, desde a infância, o pensamento negativo sobre a empatia para com o outro. Assim, é fundamental que a educação, como parte do Estado e da sociedade civil organizada, mova-se em prol das relações sociais positivas e lute contra a discriminação e opressão.

Portanto, medidas são necessárias para solucionar a falta de empatia social no Brasil. Destarte, cabe ao Ministério Público Federal e ao Poder Legislativo garantir o cumprimento das leis e dos direitos básicos por meio de um programa de fiscalização implementado nas procuradorias gerais estaduais – visto que as leis são a forma mais eficaz de consolidar a paz em uma sociedade – para que a segurança das minorias sociais não esteja apenas no papel. Também, é dever das escolas, juntamente das secretarias educacionais municipais, tornar cotidiana a prática da empatia, por intermédio da implantação da ética e cidadania como uma disciplina curricular obrigatória – dado que a educação tem papel transformador – com a finalidade de que as relações sociais do futuro não possuam os empecilhos preconceituosos da atualidade.