ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 14/07/2021
A pandemia de Covid-19 expôs a falta de empatia da população brasileira, visto que essa é um virtude essencial para combater a proliferação viral e, também, as mortes. Sob essa ótica, usar máscaras, manter o distanciamento social e seguir os demais protocolos de segurança pode salvar a vida do próprio indivíduo e, principalmente, dos mais velhos e possuidores de comorbidades. Entretanto, grande parte dos brasileiros se mostraram indiferentes a essa realidade, uma vez que, atualmente, o Brasil contabiliza mais de meio milhão de mortes por Covid-19, afirma matéria publicada pelo G1. Desse modo, é evidente que essa carência empática populacional é incentivada pela postura negligente do governo e contribui para aumentar as diferenças sociais.
Nessa conjuntura, em 2020, o atual Presidente da República, Jair Bolsonaro, adotou uma postura de resistência às recomendações da Organização Mundial da Saúde para combater o Corona Vírus. Tal posicionamento demonstrou tamanho descaso com cenário preocupante que o país se encontrava. Nesse sentido, essa visão negacionista e indiferente foi compartilhada e adotada pelos seus apoiadores. A partir disso, nos dias atuais, como consequência dessa falta de empatia reforçada pelo discurso de ódio, segundo o jornal BBC, o Brasil se tornou o maior país com quantidade de mortes diárias por causa do vírus. Isso mostra como essa carência pode afetar diretamente de maneira desastrosa o mundo inteiro.
Além disso, segundo o livro “A elite do atraso”, a desigualdade social brasileira é fruto de uma herança escravocata, que se intesifica com o racismo estrutural presente. Isto é, essa nação é extremamente estratificada, ressaltando-se que, de acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil ocupa 9° lugar no ranking de países com as maiores desigualdades socioeconômicas do mundo. Esse índice é justificado pela ausência de postura da classe média e da elite brasileira de se colocarem no lugar dos desfavorecidos. Nessa perspectiva, é notório que a falta de empatia é histórica e, para mudar essa realidade, é necessário informação e conscientização para romper preconceitos advindo de ignorância.
Portanto, para estimular o sentimento de empatia na população, cabe ao Ministério da Cultura criar um projeto para o desenvolvimento de campanhas informativas sobre a realidade vivenciada pelos grupos discriminados, por meio de propagandas, músicas e filmes. A título de exemplo, a obra “Cidade de Deus” foi responsável por impactar brasileiros e estrangeiros sobre a realidade desumanizante das favelas. Assim, a população pode ter acesso à vinvência de determinados grupos na sua essência e, possivelmente, se tornaram mais empáticas.