ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 15/07/2021

Na novela televisiva “A força do querer”, um dos personagens se descobre transexual no decorrer da trama, e, ao falar sobre isso para sua própria mãe, acaba sendo rejeitado por quem mais deveria amá-lo. Logo, essa história fictícia é, na verdade, a realidade de muitos brasileiros, que são vítimas da ignorância, decorrente da ausência de empatia. Nesse sentido, esse empecilho pode ser explicado pelo desejo das pessoas de se sentirem superiores aos demais, tendo assim como consequência a diminuição da expectativa de vida de minorias sociais.

Em primeira análise, a busca pelo sentimento de superioridade está presente em toda a história humana. Nesse viés, é pertinente revisitar o momento da Contrarreforma, da qual a manobra da catequização tinha, como um de seus objetivos, colocar a cultura europeia acima da indígena. Ademais, essa necessidade narcisista é ainda mais explícita na divisão evolucionista de estudos antropológicos, sendo representada por, entre outros autores, Edward Taylor, criador e defensor da teoria de “graus de civilização”, que é abominavelmente etnocêntrica, colocando certos povos como menos ou mais civilizados. Por fim, torna-se clara a arrogância humana, que sempre nasce com o medo do diferente, e com a ausência de compreender e aceitar as divergências.

Outrossim, todo esse pensamento retrógado pode ameaçar a vida de grupos minoritários. Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), a expectativa de vida de uma pessoa trans no Brasil é de 35 anos, o que é menos da metade da média da população brasileira, que é de 76 anos. Com esse dado, faz-se essencial refletir que o ódio presente nas relações sociais é gerado por pessoas ignorantes que não procuram entender quem é o indivíduo antes de criticá-lo. Entretanto, é fato que nascer mulher, LGBT e/ou não-branco, acaba, infelizmente, sendo uma sentença de morte. De acordo com dados do 13º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, três mulheres são vítimas de feminicídio a cada um dia. Sendo assim, os números são alarmantes, e exigem uma mobilização estatal.

Portanto, tem-se com clareza que a ausência de empatia nas relações sociais é causada pela sede humana de superioridade, e acaba por causar a queda na expectativa de vida de grupos menosprezados pela sociedade brasileira. Para atenuar a atual situação, cabe ao Governo Federal, junto ao Ministério da Educação, promover aulas e discussões nas matérias de filosofia e sociologia, em escolas públicas e privadas, sobre os preconceitos vivenciados pelos grupos marginalizados, por meio da contratação de minorias sociais para darem o conteúdo das palestras, a fim de formar cidadãos mais tolerantes e empáticos, e que promovam harmonia nas relações humanas do Brasil. Com isso, quiça situações como a relatada em “A força do querer” não venham a se repetir na vida real.