ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 15/07/2021
Zygmunt Bauman, sociólogo da “A modernidade Líquida”, relata em seu livro que com o passar dos anos as relações tornam-se cada vez mais frágeis. De maneira análoga, esse cenário assemelha-se ao cotidiano brasileiro, no qual a empatia é pouco praticada. Nesse sentido, não há dúvidas de que a falta de empatia nas relações sociais no Brasil é um problema, o qual ocorre devido não apenas a banalidade do mal, mas também a sociedade do espetáculo.
Vale pontuar, de início, que a banalidade com que se enfrenta diversos problemas acarreta na falta de empatia. Nessa perspectiva, de acordo com a autora do livro “Eichamann em Jerusalém”, Hannah Arendt, uma situação errada praticada repetidamente na sociedade passa a ser vista como normal, pois é banalizada. Sob essa ótica, observa-se como a falta de empatia é construída, pois atitudes como mortes e acidentes ocorrem de forma recorrente e não causam mais comoção no povo. Prova disso são os programas criminais que exibem óbitos em horário nobre da televisão, e muitas das vezes soam como cômicos. Assim, as relações tornam-se frágeis à medida que o tempo passa.
Além disso, ressalta-se que a sociedade do espetáculo é a que impera no século XXI. Segundo o sociólogo Guy Debord, autor do livro “A Sociedade do Espetáculo”, nos dias atuais, a imagem passa a ser mais valorizada do que a própria ação, e tal questão é intensificada, ainda mais, pelas redes sociais. Nesse contexto, a internet promove o distanciamento das relações interpessoais, isto é, o indivíduo passa a relacionar-se menos com o seu entorno, consequentemente, o sentimento de empatia diminui. Exemplo disso são as ondas de manifestações nas redes sociais, é comum haver comoção com tragédias que ocorrem na Europa ou Estados Unidos, entretanto, há pouco movimento com o contexto brasileiro, no qual todos os dias há mortes, preconceitos, discriminação. Dessa forma, medidas são necessárias para mudar esse quadro.
Fica evidente, portanto, que a falta de empatia é um problema na sociedade. Logo, faz-se necessária uma ação do Estado, tendo em vista ser o principal ator social, por meio das escolas, disponibilizando psicólogos para rodas de debates, não apenas para conscientizar, mas também mostrando dados científicos com o objetivo de alertar as crianças da importância de viver em uma sociedade coorperativa e harmônica. Com isso, espera-se que esse quadro minimize, gradavitamente, e contextos de a sociedade do espetáculo não se perpetuem.