ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 18/07/2021

No ano de 2020, o mundo foi assolado por uma pandemia, que até o ano de 2021 não chegou ao fim. Segundo um consórico formado por jornais brasileiros, entre eles, Folha de São Paulo e O Globo, já ocorreram mais de 520 mil óbitos, apenas no Brasil, devido à pandemia. Ainda diante de um cenário tão dantesco, houve casos públicos de desdém com o sofrimento alheio: o presidente da república, Jair Bolsonaro, ao ter sua opinião sobre o número de vítimas questionada por um jornalista respondeu " e daí, quer que eu faça o quê?". De bases gregas, a democracia é um sistema político em que o povo escolhe livremente seus líderes para representá-lo. Frente a uma fala tão ofensiva de um governante, como esta descrita anteriormente, surge um questionamento: sendo o sistema representativo brasileiro a democracia, a declaração do chefe da nação expressa o interesse, sentimento ou opinião da maioria da população? Buscar combater o sentimento de ódio é um importante passo na direção de uma sociedade com mais respeito pelo sentimento de outrém.

No período histórico da Idade Moderna, a instituição religiosa Igreja Católica criou o tribunal do Santo Ofício, prerrogativa para perseguir e matar aqueles que a criticavam, conhecidos como héreges. De raízes europeias, este tribunal também esteve presente no “Novo Mundo”, sempre com a anuência do poder secular, o colonizador, o Estado à época. Este tribunal foi extinto a mais de dois séculos, apesar disso a maldita herança colonial ainda encontra terreno fértil para se desenvolver na sociedade brasileira. Assim, conclui-se que a falta de consideração e respeito bem como o desprezo pelos sentimentos de outra pessoa decorrem da formação do Brasil, ainda hoje essa cultura de ódio ofende e agride.

Dessa forma, é imperativo, para construir uma sociedade consciente do seu passado e com sentimento de empatia e respeito ao próximo, que o Ministério da Educação estruture o currículo escolar para que, logo nas primeiras séries escolares, seja trabalhado em sala de aula o respeito aos direitos individuais de cada pessoa. Desse modo, as próximas gerações podem libertar o Brasil do fardo colonial do ódio e perseguição das minorias, formando, assim, uma sociedade mais empática.