ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 24/07/2021

Promulgada em 1988, a Constituição Federal brasileira assegura, em seu artigo sexto, os direitos sociais à saúde e à segurança. Entretanto, indicadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), denunciam aumentos substanciais na incidência de crimes de ódio decorrentes de preconceitos, fator que se relaciona com a falta de empatia de grande parcela da população, a qual opta por marginalizar parcelas minoritárias. Diante disso, com o fito de mitigar a problemática, cabe a coibição estatal às práticas criminosas e, à sociedade, a cobrança pela adimplência dos direitos constitucionais previstos.

Em princípio, sabe-se que o Estado é responsável pela manutenção da homeostase (equilíbrio interno) social do país. Porém, a simples elaboração de leis não garante que a população agirá em acordo com o estabelecido. Nesse ínterim, conforme o Atlas da Violência, publicado pelo IPEA, tem-se que crimes relacionados ao preconceito de gênero e ao de raça atingiram patamares históricos em 2020 e que o país lidera o “ranking” de nações que mais matam transexuais no mundo. Tais dados resultam da falha em aceitar as minorias como parte da coletividade e mostra que a falta de empatia pode gerar resultados desastrosos.

Em segundo plano, salienta-se que a população oprimida deve cobrar das autoridades competentes soluções efetivas para a situação. Nesse contexto, o antropólogo Roberto Damatta, em “Carnavais, Malandros e heróis” (1979) critica a postura do brasileiro, por permanecer inerte, à espera de uma salvação messiânica, geralmente de viés político. Em contrapartida, assim como sustenta o autor, tem-se que resultados melhores são alcançados quando o povo impõe-se diretamente. Dessa feita, é importante que a coletividade cobre que valores sociais, como a empatia, sejam objeto de trabalho do ensino de base e que, aqueles que cometem delitos sejam devidamente punidos.

Dessarte, tem-se que o Estado e a sociedade são entes copartícipes na reversão da problemática. Logo, cabe ao Congresso Nacional, por meio de processo legislativo estabelecido na Carta Magna, a abertura de uma comissão especial que atue em prol da aplicabilidade do artigo sexto da Constituição . Para isso, deverão ser convocados educadores, psicólogos e juristas, para  viabilizar que o ensino de base seja reformulado e que valores sociais indispensáveis à convivência coletiva sejam trabalhados propriamente desde à infância. Assim, à medida que jovens mais conscientes da responsabilidade de seus atos forem formados, a tendência é que a empatia seja praticada de forma mais abrangente em solo nacional.