ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 24/07/2021
Já desde o início das Grandes Navegações, no começo da Idade Moderna, colonizadores portugueses e espanhóis, quando chegaram no “Novo Mundo”, fundamentaram novas relações sociais. Estas foram calcadas, contudo, sem levar em consideração em como o povo autóctone sentiria-se ao ter que abrir mão de sua cultura, valores e crenças particulares. Já no Brasil da contemporaneidade, por seu lado, a empatia para com outrem está em xeque, devido ao modelo neoliberal de sua economia e à falta de coesão social entre parte de seus habitantes.
Ao passo que o país em análise adentra e implementa medias liberais em sua economia, o individualismo cresce entre seus habitantes, fato esse que é nocivo para o espectro social, uma vez que cada vez menos o outro importa, aquilo que ele sente ou professa. Tal fato vai ao encontro daquilo que Jean-Jaques Rousseau preconizou que “quanto mais o ser humano individualiza-se, tanto mais há diputas entre eles”. Dentro dessa perspectiva, é compreensível o que acontece com pessoas que têm algum tipo de deficiência, quando são excluídas e até rechaçadas nos grupos de estudos (seja no ensino básico ou no superior), nos de amigos ou das reuniões em família.
Um outro entrave para a resolução da problemática é no que diz respeito à coesão social. Assim, por haver raízes históricas que, desde outrora, não levaram em consideração o outro, a sua alteridade e o seu modo de vida, o país em questão sofre ainda com as consequências disso, de modo a refletir no campo das relações interpessoais a dificuldade de professar uma empatia com o diferente. Nessa perspectiva, a liquidez das relações pessoais na sociedade brasileira vai afavor daquilo que Zygmmund Bauman sabiamente idealizou que “estão a diminuir o que mantinha a sociedade internamente ligada”. Nesse cenário, quando certa pessoa aparenta ou apresenta algo “distoante” dos demais e não encontra esteio social, sobra espaço para o rescrudescimento da liquidez nas relações.
A partir das problemáticas supracitadas e precedentes, compete ao Poder Executivo bem como ao Legislativo, em coalizão, implementarem leis ordinárias que arrefeçam as implicações do neoliberalismo sobre a camda social, a fim de propiciar um fortalecimento entre laços de afetividade interpessoal. Além disso, que essas leis também subsidiem campanhas publicitárias com funções conativa e referecial da linguagem para o convencimento de uma sociedade mais plural; que elas forneçam recursos essenciais, de modo a viabilizar reformas de infraestrutura nas vias públicas com passagem para deficientes; que ampliem o número de vagas nas universidades públicas e treinem profissionais da educação a fim de informar o cidadão do que aconteceu no passado para que não ocorra no presente. Feito isso, a nação brasileira torná-se-a muito diferente daquilo que lhe foi legado.