ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 30/07/2021

De acordo com a Constituição Cidadã, de 1988, todas as relações humanas devem ser pautadas no respeito, ou seja, todos os cidadãos devem ser respeitados. No entanto, na prática, tal garantia é deturpada, visto que a falta de empatia( capacidade de se colocar no lugar do outro) nos vínculos sociais é uma realidade, no contexto brasileiro. Dessa forma, faz-se necessário analisar as causas dessa questão, com o fito de propor intervenções transformadoras.

Sob uma primeira abordagem, é possível observar que essa situação relaciona-se a fatores socioculturais. Isso porque muitos indivíduos, os quais não assumem atitudes que valorizam o próximo, não foram ensinados, desde cedo, a adotarem comportamentos empáticos, isto é, repletos de gentileza e respeito. Em outras palavras, muitas famílias não cumprem uma de suas principais funções- transmitir valores sociais e culturais aos filhos. Como consequência disso, pode-se  constatar que o número de crimes de ódio(forma de violência direcionada a um determinado grupo social com características específicas) aumenta cada vez mais. Para ilustrar esse fato, pode-se citar o dado publicado pelo jornal Nexo, o qual mostrou que, a cada 12 horas, um indivíduo é violado por apresentar alguma particularidade, no território brasileiro. Diante disso, a ausência de ensinamentos, por parte dos pais, acerca da empatia traz graves efeitos para a nação.

Outrossim, vale ressaltar que essa problemática é influenciada por motivos políticoestruturais. É notório que, nos últimos anos, o poder público tentou reverter esse panorama nefasto. Contudo, esse esforço não foi suficiente. Isso porque o governo federal não promoveu uma conscientização geral sobre os recorrentes casos de crimes de ódio, os quais são consequências direta da ausência de comportamentos empáticos. Além disso, há uma gestão pouco comprometida com mudanças, ou seja, são iniciativas superficiais. Prova da função estatal, nesse sentido,  é a tese do iluminista Jonh Locke, a qual afirma que o Estado é o órgão responsável por garantir os direitos inalienáveis da população. Dessa maneira, a inércia governamental é um empecilho para a resolução desse problema.

Portanto, torna-se evidente que a falta de empatia nas relações socias, no Brasil, apresenta entraves, os quais necessitam ser revertidos. Logo, o poder público, instância máxima do legislativo, deve, com urgência, iniciar a abordagem da importância dos comportamentos empáticos nos relacionamentos, nas instituições escolares, por meio de debates, palestras informativas, “lives” com profissionais especializados, dinâmicas educativas, com o objetivo de que todos possam desfrutam de relações sociais repletas de gentileza, respeito e empatia. Só assim, a Carta Magna será cumprida.