ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 31/07/2021
A música ‘‘Geni e o Zepelim’’, de Chico Buarque, retrata a realidade vivida pela protagonista em sua cidade. Entre ofensas e agreções, ela é condenada pela sociedade que não compreende o outro. Apesar de ficcional, a canção explicita a escassez de aceitação que marca as relações do século vinte e um. No Brasil, essa carência é herança de uma dinâmica colonial que resulta em ações nocivas para a coletividade. Dessa forma, é importante entender essas causas para combater a falta de empatia nas relações sociais.
Tendo em vista a realidade supracitada, quando uma sociedade é concebida na divisão, os valores do dominador são preponderantes. Nesse sentido, os padrões ainda são influenciados por ações determinadas no século XVI. Segundo a antropóloga Hilaine Yaccoub, a população brasileira não tem empatia, pois é extremamente hierarquizada e pautada em classes sociais. Por essa razão, há um fragilidade na identificação com a comunidade, o que leva o indivíduo a impor sua diferenciação de maneira bem clara. Em 2020, por exemplo, a Vigilância Sanitária fez uma fiscalização contra aglomerações, e um fiscal foi abordado por um casal que usou a seguinte sentença contra o agente ‘‘Cidadão, não. Engenheiro Civil formado. Melhor do que você’’. Esse caso, além de demonstrar uma mentalidade de superioridade, indica essa necessidade de destacar-se do todo. Assim, a divisão categórica do povo colabora com a falta de empatia nas relações sociais.
Além disso, essa particularização materializa-se em condutas. Nesse prisma, a imposição da diferenciação, por meio de comportamentos e falas, transforma-se atos individualistas e intolerantes no cotidiano. Esse fenômeno é visto, por exemplo, no contexto da pandemia da COVID-19, em que muitas pessoas fizeram estoques de máscaras e álcool em gel e não se preocuparam com outros indivíduos que precisavam adquirir esses insumos. Ou, também, pelo aumento no número de casos de crimes de ódio contra gênero, origem, religião ou orientação sexual. Dessa maneira, os comportamentos da população evidenciam a carência de compreensão nas interações da sociedade.
A empatia é, portanto, oprimida nas relações sociais no Brasil.Por essa razão, a fim de diminuir a hierarquização do povo, cabe ao Ministério da Educação promover diálogos sobre o entendimento do coletivo e sobre a importância da empatia, por meio de debates e interações nas escolas -com técnicas psicopedagógicas. Ademais, o Ministério da Cidadania, com o intuito de acabar com as ações prejudiciais ao complexo social, deve investir em programas e postagens, por meio das redes sociais, como Instagram e Twitter, sobre a necessidade de respeitar as diferenças do outro e sobre os direitos de liberdade de todos os cidadãos.