ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 27/07/2021

A distópica série estadunidense “O expresso do amanhã” retrata a vida de um grupo de pessoas que sobreviveram às condições externas de extremo frio ao financiarem a existência de um trem que roda eternamente por todo o mundo e detém todos os recursos necessários à vida. Nela, os chamados “fundistas” foram os invasores que adentraram à locomotiva no último momento sem pagar e que, por isso, vivem em condições precárias no último vagão, expostos a doenças, fome, morte por desobediência e más condições de vida. Não distante da cinematografia, a realidade dos fundistas se assemelha ao cotidiano de diversos indivíduos na sociedade brasileira, que frequentemente são expostos à falta de empatia do corpo social e lidam com as consequências da invisibilização de suas condições e indiferença humana ao serem menosprezados e diminuídos. Nesse sentido, observa-se um delicado problema que tem como causas o individualismo e a sensação de superioridade.

Dessa forma, em primeira análise, o pensamento focado no próprio “eu” é um desafio presente no problema. Durkheim afirma que “nosso egoísmo é produto da sociedade”. Tal cultura individualista influi sobre o comportamento das pessoas no que concerne à falta de empatia nas relações sociais brasileiras, visto que, focados somente em si, suas ambições e próprias preocupações, os indivíduos fecham-se para a compreensão dos problemas do outro, tornando-se incapazes de enxerga-lo como detentor de problemas e merecedor de atenção e ajuda. Assim, reverter o individualismo a nível social é essencial para dissolver essa situação.

Em paralelo, a diminuição do outro é um entrave no que tange à questão. Para Hannah Arendt, “a pluralidade é a lei da Terra”. Porém, tal pluralidade não é devidamente valorizada em relação ao ambiente não empático, visto que, com a incapacidade de se colocar no lugar do outro de modo a compreendê-lo sem julgamentos, o indivíduo passa a ser desumanizado e estar sujeito à violência, tratado como um corpo indisposto de consciência ao qual se pode menosprezar. Assim, é preciso valorizar a lei que a pensadora cita para agir sobre esse problema. Assim, é imperativo agir sobre o cenário.

Para isso, a Netflix deve criar um documentário com a participação de psicólogos e sociólogos a respeito dos impactos da falta de empatia nas relações sociais na saúde e na vida dos indivíduos, a fim de reverter o individualismo que impera. Tal ação pode, ainda, ser divulgada nas redes sociais para atender a um maior público. Paralelamente, é preciso intervir sobre a sensação de superioridade presente no problema. Assim, menos indivíduos estarão sujeitos ao desprezo e descaso evidenciados na série “O expresso do amanhã”  e mais pessoas passarão a ser ouvidas e compreendidas.