ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 28/07/2021
O livro Jogos Vorazes narra uma realidade utópica, na qual doze distritos são controlados por um governo autoritário nomeado como Capital. Para demonstrar seu poder arbitrário, a Capital realiza uma competição anual onde, obrigatoriamente, são sorteados dois participantes de cada distrito e colocados juntos dentro de uma arena para matarem uns aos outros, performando um espetáculo de crueldades. De maneira análoga à história fictícia, a questão da falta de empatia nas relações sociais, no Brasil, ainda enfrenta adversidades no que diz respeito à desumanização do próximo. Assim, pode-se analisar que essa problemática persiste pela negligência governamental e pela lenta mudança do histórico sociocultural do país. Desse modo, é fundamental que essa chaga social seja resolvida.
Em primeiro lugar, vale ressaltar a forma como a sociedade moderna ainda está ligada as raízes de crimes de ódio do passado. Nesse sentido, a Lei Áurea, aprovada em maio de 1888, determinou a abolição da escravatura mas não foi acompanhada por nenhuma medida que garantisse o sustento e a proteção dos ex-escravos. Consequentemente, os libertos enfrentaram inúmeras dificuldades para se integrarem de maneira igualitária no corpo social, dentre elas, o racismo. Sob essa ótica, pode-se afirmar que tal discriminação permanece atuante na contemporaneidade, uma vez que a população negra é a mais afetada pela violência e pela desigualdade no Brasil, conforme alerta a ONU. Evidencia-se, então, que a herança cultural da marginalização desses indivíduos, simultânea a de outros grupos oprimidos, contribui para a manutenção desse lastimável cenário.
Somado a isso, é preciso apontar a escassez de políticas públicas satisfatórias que visem educar e conscientizar a população sobre as consequências do individualismo descomedido. Essa omissão estatal é grave, visto que o conhecimento educacional sobre o que é ser empático com o próximo torna-se indispensável para o aniquilamento dos preconceitos enraizados e para a mudança da atual realidade. Ademais, é igualmente necessário destacar que a ausência de debates a respeito do assunto, nos veículos de informações em massa, gera um distanciamento em torno da questão.
Infere-se, por fim, que são essenciais medidas eficazes para a reversão dessa problemática. Para isso, compete ao Ministério da Educação a integração de matérias relacionadas ao convívio social na grade curricular dos estudantes, com a finalidade de instaurar, desde cedo, a compreensão sobre a necessidade de respeito entre os seres humanos. Além disso, o Ministério das Comunicações deve promover uma intensa campanha sobre a temática empatia nas redes sociais, visando alcançar um público abrangente, por meio de postagens e ilustrações explicativas. Desse modo, observar-se-ia uma sociedade moderna menos egoísta.