ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 28/07/2021

Gentileza. Compreensão. Respeito. Essas são algumas das ações fundamentais para a prática da empatia, a qual configura-se como o ato de sentir como o outro sente. Hodiernamente, o Brasil vivência a falta dessa prática nas relações socias de sua população, acarretando prejuízos para o bem-estar da nação. Por isso, visando atenuar essa situação é de suma importância elucidar sua causa e seu efeito no país.

Primeiramente, é evidente a influência que a implementação do capitalismo no território brasileiro teve para o agravamento dessa problemática. Uma vez que com a transição do sistema mercantilista para o capitalista, houveram diversas mudanças nas relações sociais entre os indivíduos. Tal como, a Reificação, termo cunhado pelo sociólogo Karl Marx no século XIX, na qual o homem perde seu valor sendo visto apenas como um objeto. Ou seja, a partir desse contexto as pessoas passaram a não mais enxergar o outro com um ser senciente, passível de sofrimento e digno de misericórdia. Logo, as relações interpessoais se tornaram cada vez menos empáticas, acarretando impactos negativos para a convivência harmônica no país.

Ademais, a escassez da empatia nas relações socias dificulta a convivência harmônica entre os brasileiros. Haja vista que a desumanização do outro torna toda a sociedade mais egoísta e individualista. Dessa forma, o desrespeito e a violência crescem pelo país, isso é afirmado pelos dados do Mapa da Violência 2018, segundo os quais todos as unidades federativas registraram crimes de ódio motivados pelo gênero e mais da metade dos estados do Brasil também registram delitos em razão da raça. Desse modo, é evidente como a falta de empatia prejudica o bem-estar social da nação.

Fica claro, portanto, que medidas precisam ser tomadas para amenizar essa problemática no Brasil. Sendo assim, cabe ao Estado, através do Ministério da Educação, reformular o plano educacional das escolas de nível básico, inserindo matérias que debatam a importância de sentir aquilo que o outro sente. Com o objetivo de estimular o desenvolvimento da empatia desde cedo nos jovens e superar a influência negativa que o sistema capitalista exerce sobre as relações interpessoais. Além disso, é valioso que a família também trabalhe a construção de práticas empáticas em suas crianças. A fim de reverter a longo prazo a questão da violência motivada por crimes de ódio e o processo de Reificação. Dessa maneira, a falta de empatia nas relações socias será minimizada e cada vez mais a gentileza, a compreensão e o respeito serão ações frequentes na sociedade brasileira.