ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 19/08/2021
A biografia do escritor inglês George Orwell revela um momento da sua vida em que decidiu aceitar subempregos em Londres e Paris, onde conviveu com pessoas em situação de rua como também passou por momentos emergenciais. Todas essas experiências moldaram o caráter de Orwell e o fizeram um dos mais influentes escritores do século XX, pela sua literatura carregada de críticas sociais. Contudo, na contemporaneidade, decisões como essa, raramente são vistas e a percepção da ausência de empatia nas relações sociais no Brasil está mais presente, em razão de uma atitude blasé em uma modernidade carente de laços sociais sólidos.
Primordialmente, Georg Simmel, sociólogo alemão do século XIX, conceitua a atitude blasé como consequência da metropolização. A cidade grande dá espaço a diferentes pessoas com vidas distintas. Com tantos estímulos e novidades, o indivíduo blasé é aquele que se tornou incapaz de notar mudanças. Desse modo, a habilidade de colocar-se no lugar do outro e demonstrar empatia é afetada, com isso, a fome, os maus-tratos e muitos crimes contra pessoa, tornam-se cada vez mais naturalizados.
Conseguintemente, um estudo da obra do sociólogo polonês Zygmunt Bauman pode complementar que a falta de empatia não se resume apenas a metrópole, mas abrange ao mundo moderno atual, no qual, não existe um vínculo sólido entre as relações, mas sim, um líquido. As relações líquidas seriam, para o sociólogo, experiências pessoais de cada um, sem a construção da integração de dois indivíduos. Nessa análise, a empatia nas relações não está presente e a individualização se sobressai.
Portanto, pelas problemáticas pontuadas, fica imprescindível modos de modificação desse contexto. Para isso, cabe ao Poder Executivo, mediante o investimento no Ministério da Educação, promover a conscientização nas redes públicas de ensino e desenvolver um setor de tecnologia de informação próprio com profissionais, como psicoterapeutas e pedagogos para combater a falta de empatia nas relações. Dessa maneira, poderá promover atitudes edificantes tal qual a de George Orwell.