ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 07/08/2021
Segundo o filósofo sul-coreano, Byung Chul Han, em seu conceito de sociedade do cansaço, o excesso de produtividade causado pela atual sociedade capitalista provocou o colapso do “eu” e fez com que a insatisfação e a falta de comprometimento crescessem no homem moderno. Tendo em vista que viver em sociedade exigiria fraternidade e união, a sociedade distancia-se desses ideais ao reforçar individualidades e egoísmos. Diante disso, fomentada por uma postura negligente da sociedade e do governo, a falta de humanidade nas relações foi acentuada.
Em primeiro lugar, é imprescindível a análise da falta de discussão sobre empatia nos diversos segmentos sociais. Seja no trabalho, na escola ou na mídia, pouco se fala sobre a importância de se colocar no lugar do outro. Sendo a sociedade caracterizada por sua heterogeneidade e composta por diversas minorias, a falta de diálogo sobre alteridade tem por consequência a difusão de discursos e crimes de ódio, visto que há preconceito e estigma com o que é diferente. Desse modo, a empatia dá lugar ao individualismo e a intolerância.
Ademais, o Brasil, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento (Pnud), é o 7º país mais desigual do mundo. Esse quadro, revela a falta de engajamento social nas problemáticas que permeiam as relações sociais, além de demonstrar o descaso governamental com grupos economicamente vulneráveis, evidencia, portanto, desequilíbrio e desarmonia social. Além disso, há pouca participação de brasileiros em trabalhos voluntários com as minorias, por exemplo, o que evidencia uma cultura individualista e pouco humana. Sendo assim, diante do exposto, a falta de empatia encontra-se alicerçada na cultura e na falta de políticas públicas eficazes para disseminar essa prática.
Portanto, urge que o Ministério da Educação em parceria com suas secretarias promova o incentivo ao voluntariado e à empatia no ambiente escolar, por meio de discussões efetivas e recompensas pelo engajamento, a fim de propiciar nas crianças e jovens a vontade de ajudar e se solidarizar com os problemas sociais. Bem como, com vistas à romper com o egoísmo pertinente à sociedade do cansaço, o Ministério do Trabalho deve trabalhar para diminuir a competitividade nos ambientes laborais e estimular a cooperação e empatia dos trabalhadores, de modo a mudar a forma como vêem seus semelhantes. Logo, a sociedade conseguirá promover respeito, equidade e empatia nas suas relações sociais.