ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 06/08/2021

A palavra “empatia” foi bastante polarizada pelas redes sociais nos últimos anos em que assuntos como desigualdade e saúde mental passaram a ser mais discutidos. Entretanto, falar sobre sua importância e colocar realmente em prática são esforços distintos. No Brasil, a falta de empatia nas relações sociais é um problema. Isso porque o trabalho voluntário tem pouca visibilidade (sendo esta uma das melhores formas de “ver o mundo com os olhos do outro”) no país. Ademais, o alto índice de desigualdade social entre os brasileiros é um outro fator considerado como agravante.

O antigo filósofo grego, Platão, discorreu sobre sua teoria “Mito da Caverna”. O que seria isso? Se uma pessoa vive muito tempo dentro de sua caverna, ela só será capaz de olhar para a sua realidade e nunca se permitirá sair dali para enxergar além, ou seja, sair da própria sombra e encontrar a luz. Exemplificando a metáfora, todo cidadão brasileiro sabe que existem pessoas em situações vulneráveis, mas nem todos são capazes de sentir empatia a ponto de saírem de sua zona de conforto e se envolverem com esse tipo de causa. Além desses, existe ainda as pessoas que são empáticas mas não colocam essa empatia em prática pois o trabalho voluntário muitas vezes é pouco divulgado e, consequentemente, pouco acessível.

Porém não é apenas a desvalorização do trabalho voluntário que contribui para a falta de relações mais empáticas no Brasil. A preocupante colocação de 7º país mais desigual do mundo – segundo dados do PNUD – é um agravante. O Brasil faz parte da Agenda 2030, criada pela ONU, com dezessete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, sendo um deles, o ODS 10, a redução das desigualdades. Um país em que o PIB está concentrado nos estados mais ricos da nação dificilmente obterá sucesso na formação de cidadãos empáticos. Ou seja, não se trata apenas de ajudar os que precisam, é necessário, também, buscar caminhos para diminuir essa discrepância de oportunidades em que o país se encontra.

Sendo assim, o Brasil precisa investir em caminhos que diminuam a falta de empatia nas relações sociais. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação por meio de professores e colaboradores de ONG’s, crie projetos que levem esta discussão para dentro das salas de aula utilizando palestras e ações sociais como ferramentas. Somente assim, o Brasil obterá sucesso na formação não apenas de novos profissionais para o mercado de trabalho, mas também verdadeiros cidadãos, que respeitem e entendam suas diferenças de forma empática e que realmente terá efeito.