ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 10/08/2021

Em sua obra “Sapiens”, o pedagogo Yuval Harari aponta ao leitor que, ao longo do processo evolutivo da espécie humana e, posteriormente das primeiras civilizações, uma vasta gama de transformações socioculturais foram necessárias para a formação das comunidades. Embora o “Homo sapiens” tenha se destacado de maneira vertiginosa em relação às demais espécies, Harari conclui que este evento justifica a relação de desequilíbrio entre o homem e o seu habitat. Tal fato é evidenciado no âmbito da falta de empatia nas relações sociais no Brasil, visto que a negligência do Estado, somada à alienação social, permanecem como agravantes dessa conjuntura.

Nesse cenário, a negligência do Estado é perceptível na falta de investimentos em educação qualitativa. De acordo com a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado incentivar a educação, a fim de garantir o desenvolvimento e a preparação do povo para exercer sua condição cidadã. Dessa forma, a ação estatal se faz imperiosa no investimento em recursos que possibilitem a preparação de uma sociedade ciente da relevância de exercer plenamente sua cidadania.

Ademais, é válido retomar que, conforme Harari expõe em sua obra, a relação desarmoniosa entre a humanidade e o meio em que vive é indubitável. Segundo o sociólogo Georg Simmel, em seu livro “The Metropolis and Mental Life”, a passividade do povo frente a situações que carecem de atenção é caracterizada como “Atitude Blasé”. Nesse viés, a compreensão da relevância da empatia nas relações sociais é essencial para que seja contornada a alienação cultural e para proporcionar uma participação ativa do povo nos entraves vigentes na sociedade.

Depreende-se, portanto, que a falta de empatia nas relações sociais no Brasil é um tema relevante que requer soluções. Logo, o Ministério da Educação, órgão do Poder Executivo, deve proporcionar as ferramentas necessárias para a construção do senso crítico dos cidadãos, por meio do acréscimo à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de uma disciplina instrutiva e debatível acerca da educação sociológica e cultural , a fim de garantir a manutenção dos direitos constitucionais do povo referentes à educação. Assim, será facilitado o combate à “Atitude Blasé” presente no meio social.