ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 11/08/2021

Aristóteles, filósofo grego, afirmava que a política, enquanto mecanismo vital de convivência em sociedade, deveria almejar a eudaimonia, isto é, a felicidade de todos os indivíduos. Entretanto, ainda observa-se na humanidade a falta de empatia das relações sociais, o que introduz nos seres humanos o sentimento de egoísmo, prejudicando a realização da máxima grega de Aristóteles. Nesse contexto, a educação tecnicista e a linguagem utilizada no meio social corroboram a perpetuação de um cenário pouco empático no mundo, inclusive no Brasil, definindo a prioridade de uma mudança desse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se pontuar a atual configuração educacional como responsável pela ausência de empatia nas relações sociais. De acordo com Michel Montaigne, pensador humanista francês, a educação cuida apenas de encher a memória, mas deixa vazios o entendimento e a consciência. Dessa forma, é notável como que o molde tecnicista atual prepara o indivíduo para uma formação técnica, mas falha em desenvolver as habilidades sociais dele, como a empatia e a alteridade.  Nesse sentido, sem a capacidade de reconhecer o outro indivíduo como semelhante, as vinculações sociais tornam-se conflituosas, o que explica as tragédias advindas dos preconceitos e da violência tão presentes na humanidade ao longo da história.

Além disso, é importante ressaltar que a falta de empatia nos vínculos sociais também é perpetuada pelas expressões idiomáticas utilizadas. Conforme teorizou Vilém Flusser, filósofo checo-brasileiro, há uma equivalência entre a linguagem e a realidade, de maneira que falantes de uma língua são transformadas por ela. Assim, a forma de se falar com o outro indivíduo modifica o entendimento da realidade, de modo que falas preconceituosas, violentas e arbitrárias, como as falas racistas e machistas, constroem uma sociedade na qual uma pessoa não se responsabiliza por suas ações e as consequências resultantes delas. Com essa falta de empatia, o combate à violência e aos problemas ambientais torna-se cada vez mais difícil.

Urgem, portanto, medidas capazes de desconstruir o pensamento pautado na careza de empatia. Para isso, cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável pelos assuntos referentes à educação -, por meio de um projeto de lei, adicionar ementas à Base Nacional Curricular Comum que desenvolvam o indivíduo enquanto ser social, com o auxílio de psicólogos especializados na construção da alteridade. Dessa maneira, essa geração poderá entender os outros indivíduos como semelhantes, modificar a linguagem para uma mais humanizada e prezar por um ideal eudaimônico, assim como idealizado por Aristóteles.