ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 20/08/2021
Empatia: a chave para o crescimento do Estado Brasileiro
A Constituição Federal de 1988 – reguladora das ações do Estado perante sua população – garante no artigo 5° o direito à vida. No entanto, a falta de empatia presente nas relações sociais ameaça diretamente esse fundamento. Nesse contexto, percebe-se o quanto a sociedade brasileira é historicamente alheia à empatia e entende-se o quão profundas podem ser as consequências da ausência desse atributo.
Em primeira análise, é necessário analisar que o Brasil tem a desumanização do outro como a base de suas relações. Sob esse viés, relembra-se os quinhentos anos de escravidão vividos pela população negra. Na época em questão, de acordo com a Igreja Católica, diferentemente do índio, que era tido como o homem no seu estado de natureza, o escravo africano era igualado aos animais, sendo um corpo sem alma para ser salva, sem humanidade, sem direito à saúde, à alimentação e muito menos ao paraíso. Paralelamente, na atualidade, ainda é costume observar o sofrimento de de outrem sem se comover. Dessa forma, vê-se como desde o século XV o cidadão brasileiro foi ensinado a observar a um semelhante sem empatia e como a ausência desse olhar perpetua-se até hoje.
Ademais, salienta-se que a falta desse valor influencia de forma incisiva não só no âmbito das relações, mas também faz com que o Estado não consiga exercer suas funções em plenitude. Nessa perspectiva, é importante ressaltar que o Brasil é um dos países com maior índice de corrupção no mundo, sendo esse fator oriundo de um déficit na formação do caráter do indivíduo que, mesmo se deparando com os inúmeros problemas vivenciados pela sua população, carente de saneamento, educação, emprego e saúde, escolhe o lucro em detrimento da vida. Logo, percebe-se como a falta de empatia é um desafio não só pessoal, mas também possui cunho social.
Portanto, é mister que o Estado tome medidas para a solução dessa problemática. Urge que o Ministério da Cidadania juntamente com o Ministério da Educação promova atividades para a população infanto-juvenil como doações de sangue, de alimentos, visitas em orfanatos e hospitais a fim de que esse mal seja cortado pela raiz ensinando o valor da empatia desde a tenra idade. Só assim, não só a vida, mas a justiça e igualdade presentes do artigo 5° da Constituição serão possíveis.