ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 21/08/2021

Segundo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Dessa maneira, práticas comportamentais entre os brasileiros vem sendo moldadas não apenas pelo capitalismo, mas também a falta de políticas públicas que incentivam a alteridade e o respeito entre os membros de uma mesma sociedade. Logo, relações interpessoais são guiadas pelos preconceitos e a individualidade. Por isso, é dever governamental aplicar ações que visem inviabilizar influências negativas da modernidade e os crimes de ódio.

Em uma primeira análise, é indubitável que a máquina produtiva capitalista determina não somente as habilidades e as ocupações, mas também a conduta social. Segundo o filósofo e sociólogo Habermas, na sociedade pós-moderna tudo virou instrumental e tem determinada finalidade. Ademais, o indivíduo pratica ações apenas para conseguir determinado objetivo, sem se preocupar em quem ele vai ferir para realizar seus atos. Nesse sentido, a modernidade fabrica mentalidades que não se preocupam com empatia e respeitos entre seres humanos. No entanto, a tecnologia deveria ser usada para evolução do cidadão em uma sociedade, e não para seu retrocesso.

Em uma análise mais aprofundada, é inegável que o preconceito é um dos grandes desafios do século XXI. Em suma, não é incomum flagrar situações homofóbicas nas ruas e discursos de ódio propagados na internet com teor racista, visto que o brasileiro não parece ter sido preparado para lidar com as diferenças e as escolhas individuais de cada um. De acordo com o filósofo John Locke e a sua teoria da tábula rasa, o ser humano é como uma tela em branco que é preenchido por experiencias e influências. Análogo a isso, é certo que uma educação que priorize o debate entre os alunos e o conhecimento de suas dissemelhanças, pode contribuir para sua evolução ética e moral com outros indivíduos.

Torna-se evidente, portanto, que a temática sobre a falta de empatia nas relações sociais exige soluções imediatas. Por isso, é dever do Ministério da Educação, como principal influenciador da formação ética do indivíduo, criar ações dentro do próprio ensino que priorizem a confraternização entre os alunos com a finalidade de reduzir os preconceitos. Outrossim, a criação de debates e a troca de informações sobre experiências individuais entre os estudantes, pode criar comportamentos de alteridade e respeito, já que evita discursos de ódio e ações individuais. Somente assim, será possível tornar os fatos sociais proposto por Durkheim benéficos para os brasileiros.