ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 28/08/2021

A cultura do sacrifício está morta, não se sente mais a dor do outro. Essa assertiva retirada do livro “A era do vazio”, de Lipovetsky, denota com clareza o cenário social hodierno. Partindo desse pressuposto, é lamentável que o egoísmo que o homem abraçou tenha lhe custado a empatia e o senso coletivo. Desse modo, perpetuando mazelas consolidadas que adoecem a sociedade.

Em primeiro plano, entende-se por empatia a capacidade que alguém desenvolve de se colocar no lugar do outro, ou seja, de importar-se com aquilo que diz respeito ao seu semelhante. No entanto, ver-se que essa postura se distancia da realidade moderna ao passo que o egocentrismo humano leva-o a querer apenas o que favorece a ele. Sob essa ótica, a literatura denuncia por meio do personagem machadiano, Brás Cubas, quão nociva é a falta de empatia nas relações sociais, quando em uma as cenas o personagem permanece sentado em cima de um escravo mesmo quando os seus joelhos sangram, enquanto diz” o meu cavalo está sangrando”. Fora dos livros, porém, essa cena se repete todas as vezes que alguém, movido pelo egoísmo, se aproveita do outro e o diminui sem considerar a sua dor, tampouco o ajuda a curar.

Em segundo plano, é lucido inferir que a permanência de atitudes alheias à empatia contribui para a permanência de mazelas sociais que ferem todo conjunto de indivíduos. Conforme aponta a Secretaria de Segurança Pública, por exemplo, os crimes de ódio tais quais: racismo e feminicídio continuam a crescer exponencialmente. Entretanto, é preciso entender que crimes como esses são somente a" ponta de um iceberg" consolidado por maus hábitos já desprovidos do respeito mútuo e da alteridade que configuram a empatia. Assim, nota-se que furtos, chacotas, descaso, indiferenças e exclusões presentes nas relações humanas,  são graves indícios de que a  falta de empatia leva o indivíduos a devorarerem uns aos outros, tanto quanto os chocantes crimes de ódio.

Portanto, a fim de recuperar um ambiente salutar ao corpo social, é imprescindível que a Família em parceria com a Escola, posto que são instituições sociais responsáveis pela transmissão de valores e princípios, eduquem as futuras gerações por meio do respeito e equilíbrio, para que sejam capazes de estender a mão aos que sangram ao invés de permanecerem sentados em seus egos, alheios a dor do outro, como, infelizmente, acontece em vários seguimentos sociais.