ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 12/09/2021

O século XXI foi marcado por profundas mudanças nas dinâmicas sociais. Diante disso, é fato que a internet propiciou um avanço significativo no que a Humanidade contempla desde os tempos pré-históricos: ser social. Nesse sentido, nota-se o estreitamento das relações sociais, em especial no Brasil, e o comportamento humano moldado a partir disso. Sob esse viés, nos dias atuais, com a mobilidade das informações e a segurança do anonimato do mundo virtual, o ser humano é tentado a refletir a hostilidade intríseca ao seu estado natural, proposto por Thomas Hobbes na Era Moderna. Isso se deve a inobservância do Estado e a banalização dessa pauta pelo corpo social tupiniquim.

Em primeiro lugar, deve-se ater à discussão à omissão do Estado ante à problemática. Nessa ótica, tem-se a formação moral do indíviduo como pilar central dessa questão. Nesse panorama, é notório que, no Brasil, os núcleos de desenvolvimento humano, como as escolas, que são o primeiro contato do cidadão com o mundo fora do âmbito familiar, não cumprem seu papel em moldar a ética cívica da sociedade, em especial na infância. Ou seja, ao não inserir nos princípios da vida humana os valores do convívio em conjunto, empatia, por exemplo, ao passo de priorizar o conhecimento puramente técnico de mundo, se favorece o surgimento de um coletivo deturpado moralmente e disseminador de relações tóxicas entre si, o que pode ser evidenciado pelos crimes de ódio, ‘‘haters’’, nas redes sociais. Esse fato, é fomentado, também, no âmbito familiar, visto que, a construção de uma sociedade problemática é geracional, o que evidencia um entrave cíclico para o povo brasileiro.

Em segundo plano, discute-se a responsabilidade social nesse cenário. Desse modo, nota-se que a perdurância da falta de empatia nas relações sociais no Brasil, não pode ser creditada apenas ao Poder Público. Dessa forma, traça-se um paralelo à obra, ‘‘Ensaio sobre a cegueira’’, do dramaturgo José Saramago, onde o autor discorre sobre uma sociedade alheia às problemáticas que a permeiam, sem conseguir enxergar nem mesmo a própria incumbência frente à sua ‘‘cegueira’’ moral. Nesse sentido, os indíviduos que banalizam a conduta moral do corpo social, por normalizarem situações de ódio, estão imersos na sua própria ignorância, e, por isso, se tornaram incapazes de enxergar além de seus atos ofensivos, ou seja, não conseguem mensurar o impacto negativo que suas ações inferem na vida de outro ser humano.

Visto isso, urge que o Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias de Desenvolvimento Social, elaborem campanhas semestrais, com psicólogos e sociólogos, que abordem a importância de noções de ética, moral e empatia, em escolas, com lives no Instagram, para atingir um público maior. Isso deve ser feito com o fito de promover uma formação mais humana e empática da sociedade.