ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 30/08/2021
Segundo o mapa do ódio de 2018, o preconceito de gênero estava presente em todas as regiões brasileiras. Nesse âmbito, esse cenário exemplifica a grave falta de empatia nas relações sociais presente contra diversos grupos e indivíduos, de maneira a consolidar uma sociedade que não é impactada pela causa e pelo sofrimento do outro, o que prejudica a formação de um país igualitário e harmônico. Nesse sentido, em virtude da priorização de interesses financeiros e do silenciamento social, emerge um desafio complexo.
Em primeiro plano, a valorização excessiva do capital caracteriza-se como causa latente dessa questão. A esse respeito, o filósofo Foucoault defende, em sua teoria do poder, que o indivíduo quando possui um objetivo tende a criar uma linguagem de coerção e subordinação, tornando o outro invisível. Nessa lógica, evidencia-se que, por estarem focadas em sí e na sua lucratividade, muitas pessoas não percebem com a devida empatia e importância a realidade do outro, de forma a contribuir com o individualismo inerente à sociedade moderna capitalista, a qual molda os indivíduos a buscarem um status de prestígio econômico e social idealizado. Diante disso, seja pela falta do sentimento de coletividade humana, o qual formenta as ações de doações materiais e projetos humanitários para pessoas em situações precárias, seja pela carência de estímulo empresarial capital em ajudar e reconhecer grupos marginalizados, a ausência de empatia encontra terreno fértil na estrutura materialista e lucrativa contemporânea.
Além disso, a deficitária comunicação social contorna o problema. Nesse contexto, o pensador Habermas afirma que a comunicação é uma verdadeira forma de ação. Entretanto, analisa-se não há o desenvolvimento do diálogo popular amplo, o que evita o reconhecimento e prejudica as relações sociais, tornando-as superficiais, uma vez que não ocorre o entendimento pleno da realidade do outro. Nessa perspectiva, esse panorama de invisibilidade de outras pessoas é visualizado, ora pelo pouco estímulo escolar em pormover ações de interações coletivas e debates, como visitas em comunidades para ampliar a visão de mundo e dialogar, ora pela carência de centros de discussões municipais que mostrem a crítica situação de indivíduos inferiorizados e silenciados socialmente.
Portanto, torna-se substancial uma resolução. Para isso, cabe ao Ministério da Cidadania formular uma campanha humanitária que evidencie os efeitos do individualismo atual, por meio do relato anônimo de vítimas de casos de ódio e falta de empatia, a fim de estimular o sentimentalismo humano. Ademais, essa campanha deve promover o diálogo social, como em palestras e eventos municipais para tornar a causa coletiva. Assim, possivelmente, o país será mais atuador na realidade do outro.