ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 30/08/2021
Manoel Barros, poeta pertencente ao pós-Modernismo brasileiro, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja primordial particularidade reside em dar valor às situações constantemente desmemoriadas ou desprezadas. Apesar da interinidade entre os fatos, percebe-se que a coletividade hodierna continua deixando de lado certos assuntos, visto que caminhos para combater a falta de empatia nas relações sociais ainda são negligenciados no Brasil. Nessa conjuntura, torna-se crucial perscrutar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a normalização do individualismo e a escassez de educação.
Sob essa mesma óptica, vale salientar que a sociedade míope alimenta uma visão turva e tóxica a respeito da normalização da falta de empatia nas relações sociais. Diante dessa circunstância, o sociólogo Sérgio Holanda, em sua obra “O homem cordial”, expõe que o egoísmo presente na sociedade brasileira tende a privilegiar princípios individuais em detrimento do bem-estar comunitário. À luz dessa perspectiva, observa-se que os crimes de ódio são associados à falta de empatia cultivada na consciência nacional, o que faz com que, em prol do bem próprio, o sujeito não se coloque no lugar do outro e tenha atitudes que interferem nos direitos civis. Por conseguinte, evidencia-se que a humanidade normalizou comportamentos individualistas, na qual cometer crimes contra gêneros são cada vez mais comum.
Outrossim, é substancial averiguar que a escassez de um conteúdo no que tange a valores solidários na formação educacional brasileira assegura a continuidade da desumanização das relações sociais. Nesse enquadramento, segundo Rubem Alves, respeitável educador nacional, as escolas podem exercer função de asas e de gaiolas, ou seja, podem proporcionar progressos ou regressos. Congênere aos fatos, o indivíduo que desconhece, infimamente, sobre a necessidade de se colocar no lugar do outro, tenderá a criar suposições erradas, tomando iniciativas equivocadas, pois a insuficiência de informação gera um pensamento egoísta de que o coletivo precisa ser prejudicado para que se atinja o objetivo individual. Destarte, a escassez de compreensão sobre os valores solidários essenciais para a construção da sociedade se assemelha às gaiolas propostas pelo Rubem Alves.
Diante ao exposto, constata-se a normalização do individualismo e a escassez de educação como principais razões da falta de empatia nas relações sociais ser recorrente no Brasil. Logo, é mister que o Ministério da Educação, ramo incumbido pela formação de pensadores na sociedade, deve fomentar as relações empáticas, por meio de apostilas e palestras, a fim de que o ciclo da normalização da ausência de empatia seja rompido. Ademais, as mídias, no que lhe concerne, devem apresentar documentários, que visem expor a necessidade de empatia no corpo social, com a finalidade de que se atinjam todos os públicos. Assim, diante dessas ações, a teologia do traste será colocada, aos poucos, em prática.