ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 30/08/2021
Na obra “Ensaio Sobre a Cegueira”, o escritor, José Saramago, expôe o fenômeno da “Cegueira Moral”, na qual a sociedade é alienada frente às diversas realidades sociais, e a qual é fomentada, sobretudo, pela restrição do acesso a informação. Tal fenômeno nefasto é facilmente observado no hodierno cenário brasileiro, principalmente, no âmbito da falta de empatia nas relações sociais, e ocorre não somente devido a falta de aplicação dos direitos, como também devido a insuficiente formação educacional. Deste modo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, com o intuito de mitigar os entraves para a consolidação dos direitos constitucionais.
Primordialmente, é imperativo pontuar a forma como parte do Estado costuma lidar com a empatia relacional no país. Sobre isto, vale lembrar a obra “Brasil: Uma Biografia” das autoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling, que aponta ao leitor a “difícil e tortuosa construção da cidadania”, pois apesar do país contar com uma das legislações mais avançadas do mundo, muito do que nela se propôe, não se é concretizado. Prova disso, é a escassez de políticas públicas satisfatórias para aplicação do artigo 6 da constituição cidadã, que garante entre tantos direitos, harmônia social. Devido a esta inoperância governamental, pouco se divuga acerca da necessidade de valorização das relações sociais, contribuindo para a permanência de um hambiente que carece que empatia. Com isto, infere-se que nem mesmo o princípio jurídico foi capaz de garantir a harmônia das relações de seu corpo social.
Outrossim, é igualmente necessário apontar a educação, nos moldes predominantes no Brasil, como outro fator que auxilia na manuntenção da problemática. Assim sendo, é justo lembrar a obra “Pedagogia da Autonomia”, do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, na medida em que ela destaca o papel da escola em fomentar não somente o ensino técnico-ciêntifico, como também as habilidades socioemocionais, tais como respeito e empatia. Sob essa ótica, a maioria das instituições de ensino do Brasil, uma vez que são conteudistas, não contribuem no combate a falta de empatia das relações do coletivo, logo não formam individuos da forma que Freire idealizou.
Portanto, compete ao Estado, a aplicação do artigo 127, a fim de garantir a ordem jurídica e a harmonia das relações socioemocionais. Para tanto, cabe ao Mistério da Educação -ramo do Estado responsável pela formação civil- inserir na grade curricular comum, a disciplina de “Cidadania”, desde a tenra idade, para que a sociedade tenha a oportunidade de debater a valorização da empatia, além de se atentar aos direitos de diferentes realidades civis. Essa mudança na lei de Diretrizes e Bases da Educação, deve ser aprovada pelo judiciário. Deste modo, tornar-se-á possivel a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos valores elencados na Carta Magna.