ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 17/10/2021
Segundo o célebre filósofo Byung Chul-Han, a contemporaneidade é caracterizada pela existência de uma sociedade do desempenho, em que são valorizadas as produções materiais em detrimento da preocupação com o bem-estar da coletividade. Assim, é possível associar a análise do pensador com a falta de empatia que se evidencia nas relações sociais no Brasil, uma vez que, focados em atividades que envolvem a geração de capital, os indivíduos não se atentam às necessidades daqueles com quem convivem. Diante disso, pode-se destacar a carência de reflexão moral e a influência da mídia como elementos causadores desse nefasto cenário.
De início, é relevante mencionar o pensamento da intelectual alemã Hannah Arendt, de acordo com o qual o deficiente hábito de questionamento moral originaria a banalidade do mal, isto é, a normalização de situações prejudiciais a um grupo de pessoas. Dessa forma, constata-se que a tendência prevista por Hannah Arendt é presente na realidade brasileira, pois posturas discriminatórias são habituais, o que aponta para a deficiência de empatia como resultado da falta de reflexão acerca das dificuldades enfrentadas por outras existências. Assim, faz-se necessário estimular o questionamento crítico para motivar o desenvolvimento da empatia na sociedade.
Além disso, os meios de comunicação contribuem para a manutenção dessa circunstância, pois propagam mensagens individualistas que desestimulam o foco em vivências alheias. Nesse sentido, os filósofos Adorno e Horkheimer, pertencentes à Escola de Frankfurt, criaram o conceito de Indústria Cultural, o qual se refere à disseminação em massa de mensagens que motivam o consumismo e o imediatismo, ao mesmo tempo em que se busca impedir a livre tomada de decisões. Dessa maneira, devido a interesses dos detentores dos meios de comunicação, a população torna-se autocentrada e focada em consumir passivamente os produtos divulgados pela mídia, enquanto o pensamento direcionado a outros indivíduos e suas peculiaridades é gradualmente reduzido.
Portanto, verifica-se a permanência de obstáculos estruturais no enfrentamento à falta de empatia. Logo, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, o desenvolvimento de projetos informativos que procurem incentivar a reflexão crítica dos brasileiros, ação que deve ser realizada por meio da execução de palestras e debates a serem ministrados em locais públicos — como praças, parques e escolas —, a fim de mitigar tanto a banalização da carência de empatia como a influência midiática no comportamento individualista. Com isso, espera-se motivar condutas empáticas entre os brasileiros.