ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 03/09/2021

O processo de colonização, iniciado no século XIV, acentuou a questão do preconceito racial, uma vez que a mão de obra utilizada na época era escrava e necessariamente negra. Apesar de vários séculos terem se passado, o racismo é um problema que se perpetua hodiernamente e, semelhante aos colonizadores, é fruto da falta de empatia dos brasileiros. Nesse contexto, verifica-se que a ausência do sentimento de fraternidade persiste principalmente devido à sensação de superioridade e à ineficácia legislativa.

Em primeira análise, é necessário atentar para ao sentimento de supremacia presente em alguns brasileiros. A Teoria da Eugenia, cunhada no século XIX e utilizada como base do Nazismo, defende o controle social por meio da seleção de aspectos considerados melhores. De acordo com essa perspectiva, portanto, haveria seres humanos superiores, a depender de suas características. Sob essa lógica, a noção eugênica de superioridade pode ser percebida no comportamento dos indivíduos que praticam o preconceito verbal ou físico contra qualquer minoria social, como por exemplo as mulheres e a população negra.

Ademais, as leis insuficientes também atuam como agravante do impasse. Para o escritor Gilberto Dimenstein, a legislação brasileira é ineficaz, haja vista que embora aparente ser completa na teoria, não se concretiza na prática. Prova disso é a criminalização da LGBTfobia, violência contra lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, aprovada em 2019, que apesar de garantir o aumento de mecanismos de proteção e ser um marco na conquista de direitos dessa minoria social, não assegura a total segurança da comunidade LGBT, já que, mesmo com a legislação, diversos indivíduos ainda continuam sendo vítimas do preconceito e da falta de empatia.

Portanto, conclui-se que a ausência da empatia é uma problemática moral de enorme relevância e merece enfoque em prol de sua solução. Deste modo, cabe aos governos estaduais de todo o país proporcionarem palestras e atividades práticas com interações sociais por meio do programa “Escola da Família”, que embora tenha sido criado pelo governo do estado de São Paulo, pode ser implementado nos outros estados. As atividades podem ocorrer nas escolas públicas aos sábados, com a finalidade de aproximar cidadãos com vivências diferentes e assim promover o respeito e a justiça. Logo, a falta de empatia será apenas uma mazela passada na história do Brasil.