ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 05/09/2021

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração universal dos direitos humanos propõe em seu artigo 29 que todos os indivíduos têm deveres para com a comunidade, tendo limitações com a lei para promover o respeito dos direitos de liberdade de todos. Conquanto, tal prerrogativa não vem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a falta de fraternidade na sociedade, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para o melhoramento do sistema de saúde voltado para Psicologia, uma área da saúde responsável em promover a habilidade de compreensão do próximo. Nesse sentido, a ampliação e melhoramento do atendimento psicológico nas Unidades básicas de saúde democratiza o acesso ao profissional que ajuda o cidadão se tornar mais sensível aos sentimentos e opiniões do próximo, desenvolvendo o senso empático. Essa conjuntura, segundo o filósofo contratualista John Locke, se configura como uma violação ao “contrato social”, já que o estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de diretos indispenáveis, como o atendimento médico de qualidade, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é notório salientar que a violência é uma das principais consequências da falta de empatia no país, principalmente a violência pela raça. Nesse contexto, é lícito referênciar o período de escravidão no Brasil, que ocorreu entre os séculos XVI e XVII, responsável por explorar de forma agressiva os nativos e os negros vindos da África pelo tráfico negreiro. Os escravos negros eram tratados como mercadorias e vistos como inferiores e sem raízes, ou seja, eram socialmente mortos e sem valor. Dado o exposto, percebe-se que o preconceito racial se perpetua ainda hoje nas relações sociais e está intrinsecamente ligado ao egoísmo e supremacia de uma etnia sobre a outra. Portanto, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater tais obstáculos. Para isso, é imprescindível que o governo federal, por intermédio do ministério da saúde, promova um ampliamento dos recursos ofertados pelas Unidades Básicas de Saúde com a contratação de profissionais da psicologia e  psiquiatria, a fim proporcionar aos brasileiros um maior acesso a essa área responsável por desenvolver a compreensão e respeito para com a comunidade. Assim, torna-se possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação da Declaração Universal dos Direitos Humanos.