ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 02/10/2021
Longe de ser uma exclusividade contemporânea ou brasileira, a falta de empatia ganha novos ares no século XXI, estimulada por estruturas digitais polarizantes que induzem o indivíduo a viver sua própria realidade, ignorando o ponto de vista alheio. Dito isso, é através desse mecanismos que se reforça, infelizmente, uma cultura de banalização da imagem feminina sexualizada e objetificada, gerando violência e preconceito.
Em primeiro lugar, assim como na Alemanha do início do século XX que, dominada por ideais de eugenia, vivia isolada à reforçar seus vícios e preconceitos, vivemos, muitas vezes, a reforçar nossos ideais individualistas. Isso se dá, principalmente, pela estrutura auto-afirmantiva das redes sociais que, no Brasil, apelam para a ideia de comunidade, estimulando bolhas sociais e alimentando a falta de empatia. Isso é decepcionante para minorias que nutriam a expectativa de se criar uma sociedade global mais próxima e engajada nos problemas do mundo.
Além disso, pode-se atribuir, em parte, às mídias digitais de massa a amplificação do machismo no país, tendo em vista que 70% dos Brasileiros estão conectados, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: tendo seu conteúdo regulado apenas pelos usuários da plataforma, pode-se ver banalizar a objetificação da mulher, principalmente através do conteúdo pornográfico compartilhado no “Whastapp”. Crucial para a perda de empatia, a objetificação é o que permite desumanizar a mulher e induzir à barbárie do feminicídio.
Faz-se, portanto, necessário avaliar esses fatores, a fim se chegar a uma solução definitiva. Urge, então, que a Polícia Federal, em parceiria com empresas de tecnologia como Facebook, atuem no sentido de desmembrar o alicerce das bolhas sociais e construir um ambiente virtual menos fértil ao florescimento do conteúdo pornográfico abusivo. Isso deve se dar mediante aporte legal apropriado, com a devida acessoria de profissionais da área de tecnologia. Atacando estruturas fundamentais ao individualismo contemporâneo, nutrimos um mundo mais conectado e engajado.