ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 04/10/2021

De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, as relações sociais hodiernas são marcadas pela fluidez e pela superficialidade como resultado de indivíduos cada vez mais objetificados e presos nas próprias bolhas. Nesse contexto, a empatia, ou seja, a ação de se colocar no lugar do outro e respeitá-lo deixa de ser desenvolvida na população brasileira, o que ocasiona desde desrespeitos do dia-a-dia até casos mais graves de violência, como crimes de ódio e o bullying. Nesse sentido, fatores de ordem social e educacional caracterizam a problemática.

É importante pontuar, de início, o impacto do contexto social contemporâneo, com a consolidação do modelo capitalista, caracterizado pelo individualismo e pela competitividade como grande desafio para a promossão da empatia na sociedade. Nesse sistema econômico, o “ter” passa a ser mais valorizado em relação ao “ser” e, com isso, as pessoas deixam de desenvolver qualidades como a preocupação com os sentimentos do outro, visto que isso não é enaltecido, mas sim o consumo. Tal fator pode ser ratificado pelos conceitos de infraestrutura e superestrutura criados por Marx e Engels, os quais defendem que a economia exerce ampla influência na organização e nas relações sociais. Dessa forma, a reflexão e compreensão dessa influência auxilia na resolução do problema.

Outrossim, vale ressaltar a negligência das escolas em relação ao fomento de princípios como o respeito ao próximo e de exercícios para a compreensão da dor do outro como contribuinte para a falta de empatia no país. Uma vez que essas instituições sociais desempenham papel fundamental nos processos de socialização do indivíduo, faz-se mister maiores esforços nesse sentido. Diante disso, os vários casos de bullying que ocorrem nas salas de aula corroboram a omissão das escolas quanto à questão. Entretanto, à luz do pensamento do educador Paulo Freire que defende a transformação da sociedade a partir da educação, ainda é possível reverter esse quadro.

É notória, portanto, a relevância de fatores de ordem social e educacional na temática supracitada. Nesse viés, cabe às principais instituições responsáveis pela inserção do indivíduo na sociedade, como escola, em parceria com a família, a função de incentivarem o exercício da empatia com as crianças e os jovens a fim de melhorar as relações sociais no Brasil. Essa proposta pode ser efetivada por meio de dinâmicas em grupo, debates em sala de aula, palestras sobre o conceito do termo e diálogos esclarecedores. Poder-se-á, assim, combater essa carência de indivíduos empáticos e fazer jus ao pensamento do educador Paulo Freire.