ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 20/09/2021
Segundo o Mapa do Ódio de 2018, todos os estados brasileiros registraram a prática de feminicídio no referido ano. Dessa forma, é possível afirmar que, embora inúmeros sejam os avanços na sociedade brasileira, ainda persistem retrocessos relacionados à falta de empatia nas relações sociais no Brasil. Nesse âmbito, falhas coletivas e insuficiências legislativas são fatores que contribuem para a sua permanência e é necessário criar estratégias que a modifiquem.
Primordialmente, é relevante considerar o ideário de Émile Durkheim sobre o organismo social. Para ele, a sociedade funciona como um “corpo biológico” no qual a falha em um único órgão gera um estado de desregramento. De maneira análoga, as insuficientes aplicações legislativas para o desenvolvimento de um sistema mais empático e menos egoísta, cooperam para que o contexto segregacionista prevaleça. Essa característica manifesta-se na ausência de órgãos e profissionais capacitados para verificar periodicamente o cumprimento das leis propostas pela Constituição, o que acarreta aumento da violência e reflexos negativos apresentam-se à ordem social,
Sob a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. No entanto, percebe-se que, no Brasil, há uma grande mazela que contribui drasticamente para a falha do coletivo: a falta de empatia. De acordo com uma coluna da Revista Pazes, “Por não saber “ser o outro”, o homem furta, rouba, violenta.” Como consequência disso, é comum verificar altos níveis de criminalidade associados à mentalidade de superioridade relativa a grupos fechados que praticam crimes de ódio, o que vai de encontro à isonomia entre os cidadãos garantida pela Constituição Federal.
Para modificar o quadro de segregação vigente, portanto, são imprescindíveis ações do terceiro setor e do Governo Federal. O terceiro setor - composto por associações que buscam organizar-se objetivando melhorias sociais - deve desenvolver grupos de discussão e palestras nas escolas e comunidades. Essa ação terá o objetivo de instigar a empatia às minorias que são marginalizadas e a união da sociedade como um corpo biológico , o que ocorrerá mediante a exibição de conteúdos informativos e de influência conscientizadora elaborados por professores, psicólogos, sociólogos e antropólogos. O Governo Federal, por sua vez, deverá articular-se juntamente com o Poder Legislativo para desenvolver cursos de capacitação profissional que objetivam monitorar o seguimento da Constituição Federal regularmente, bem como aliar-se ao Sistema Financeiro Nacional no direcionamento de subsídios à infraestrutura dos órgãos de monitoramento. Essas ações terão o objetivo de aumentar a visibilidade das minorias s e ofertar um melhor cumprimento legislativo.