ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil

Enviada em 22/09/2021

No filme “Jojo Rabbit”, um menino alemão, no período da alemanha nazista, encontra uma garota de religião judáica em sua própria casa, abrigada pela mãe dele. Ainda na obra, o menino usa de inúmeras artimanhas para tentar machucá-la ou retirá-la do ambiente, conquanto, ao ter escutado sua história, deixa sua crenças de lado e se mostra empático com ela. Fora da ficcção, é notórorio dizer que atitudes apáticas são um enorme problema, pois, como mostra no filme, o menino tenta, antes de tudo, machucar o diferente e não praticar alteridade. Dessa maneira, é possível analisar que a falta de empatia nas relações sociais no Brasil é um tema que inviabiliza o avanço da nação, haja vista que dificulta processos de aceitação e mudança. Outrossim, é de suma importância entender que a inércia governamental e a não educação na questão são pilares que sustentam a problemática citada.

Em primeira análise, é importante perceber que o Estado, como maior órgão do país, tem a função de promover a mudança significativa no tema, porém ele não a faz. Segundo a filósofa contemporanêa Hannah Arendt, um estado passa a seus indivíduos, constantemente, doutrinas de pensamento, guiadas, sobretudo, por suas ações e projetos. Nessa lógica, é entendido que o governo rege o pensamento de seu povo com suas atitudes. Não obstante, no caso brasileiro, a ínercia na questão gera indivíduos apáticos e indiferentes com a situação, o que, segundo Arendt, é caracterizado como a alienação ao mal. Em suma, a não adesão do Governo acarreta a não adesão populacional, fato que condena a falta de empatia nas relações sociais continuar existindo.

Ademais, o desconhecimento do que gera a forma indiferente e individualista que o brasileiro age é um importante pilar a ser combatido. Segundo dados do Datafolha cerca de 80% das pessoas já presenciaram, como espectador ou alvo, atitudes descriminatórias no Brasil, todavia, ainda segundo a fonte, apenas 20% disseram ter agido contra tais atitudes. Dessa forma, é passível de compreensão que mais da metade dos brasileiros apenas aceitam o ocorrido e não se empatizam com a situação. Logo, a partir da análise dos dados, se observa que não educar a população para agir de maneira correta frente aos acontecimentos é o fator que mantém vigente a falta de empatia e problemas ocasionados por ela.

Destarte, em vista dos fatos supracitados, é notória a necessidade de intervenção. Para que o país gere um povo mais empático, urge ao Ministério da Educação e da Cultura promover, por meio de escolas e veículos de comunicação, programas sócio-educacionais voltados para ensinar e praticar a empatia. Isso pode ocorrer, por exemplo, com profissionais capacitados na área social e pedagógica, criando melhores conteúdos e ensinamentos para o combate da problemática. Em vitude disso, espera-se, também, que a alienação do mal, citada por Arendt, não ocorra mais no Brasil frente a esse tema.