ENEM 2020 (Reaplicação) - A falta de empatia nas relações sociais no Brasil
Enviada em 27/10/2021
A Carta de Pero Vaz de Caminha, uma das obras mais relevantes do Quinhentismo, relata a visão dos navegadores portugueses ao chegarem no Novo Mundo. Entretanto, esse documento é marcado pelo forte teor de eurocentrismo, já que as descrições colocam os nativos encontrados na América como inferiores ao povo português, o que demonstra a falta de empatia dos navegadores ao não compreenderem a natureza dos indivíduos e sim diminui-la. Diante disso, percebe-se que a persistente ausência de empatia nas atuais relações socias no Brasil remonta ao período de sua descoberta, problema esse que atualmente tem como causa a grande violência presente em solo brasileiro e também está relacionada com a intolerância religiosa praticada no país.
Em primeira análise, a grande violência presente em solo brasileiro é um dos motivos que promovem a falta de empatia nas relações sociais. Nesse contexto, o filosofo e contratualista Thomas Hobbes cita que o Estado surge para acabar com a violência de todos contra todos encontrado no Estado de Natureza, pois essa instituição é responsável por promover a segurança e consequentemente a empatia entre os indivíduos. No entanto, observa-se que o papel dado por Hobbes ao Estado não esta a ser cumprido na conteporaneidade brasileira, visto que os cidadãos ainda sofrem com a violência praticada entre as pessoas, o que afirma a ausência de empatia no Brasil, pois o homem ao praticar um feminicídio, acaba por não se colocar no lugar da família da vítima para entender a dor que essa irá passar pela perda do familiar.
Em segunda análise, a intolerância religiosa é outra causa que dificulta a promoção de empatia entre as pessoas. Nesse sentido, afirma-se que esse ato é uma prática que tem origem na Idade Antiga, uma vez que no Império Romano, a perseguição aos cristãos era recorrente, já que eles negavam a existência dos diversos deuses romanos e também a divindade do imperador. Assim, é notório que a ação de ser intolerante foi um exercício adotado da Idade Antiga pelos brasileiros, o que incentiva o desrespeito as crenças do próximo e que reflete também a escassez de empatia, já que assim como os romanos politeistas e os portugueses que descobriram o Brasil, a natureza do outro não é aceita e sim diminuida.
Conclui-se, portanto, que a falta de empatia nas relações sociais no Brasil precisa ser resolvida. Dessa maneira, o Governo, esse que possui forte influência sobre o indivíduo, por meio de ações coletivas com os meios midiáticos, deve propor campanhas digitais a fim de demonstrar a importância de ser empático mas também incentivar sua prática entre as pessoas, com o objetivo de acabar com a violência. Dessa forma, o papel do Estado defendido por Thomas Jobbes estará sendo cumprido.